AS DIFICULDADES DE ESTUDAR NO BRASIL

Oscar Maldonado é equatoriano e fez mestrado em comunicação na ECO-UFRJ. Ele lembra a sua experiência no Brasil e analisa as vantagens e dificuldades de estudar no Brasil.

A situação acontecida com um grupo de estudantes equatorianos na UNILA, Universidade Federal da Integração Latino-Americana em Foz de Iguaçu, além de evidenciar alguns graves abusos de autoridades públicas brasileiras contra estudantes de fora do país, mostra algumas deficiências antigas na organização das faculdades brasileiras na hora de receber estudantes estrangeiros.

Nos últimos dez anos, o Brasil tem se tornado um destino cobiçado para jovens equatorianos com vontade de realizar estudos de graduação e pós-graduação fora do país por razões como o desenvolvimento econômico do país, a qualidade dos programas de estudos e a possibilidade de obter bolsas de estudos.

Em março de 2009 comecei meus estudos de pós-graduação na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mesmo com a aceitação da universidade, não consegui obter uma bolsa, razão pela qual tive que cobrir os custos de moradia e vida com a ajuda dos meus pais.

Recebi a carta de aceitação ao programa da Eco Pós em maio de 2008 e cheguei no Rio em fevereiro de 2009, algumas semanas antes das aulas começarem para me preparar com questões como moradia, orientação na cidade, etc. Mesmo tendo morado no Brasil no passado, o inicio no Rio de Janeiro foi difícil por algumas faltas de informação por parte das faculdades.

Acredito que as universidades brasileiras estão começando a tomar maior contato com estudantes de fora do Brasil para ter grupos de estudo mais diversos e experiências de pesquisa mais interessantes. Mesmo assim, os laços entre as autoridades universitárias e novos estudantes estrangeiros ainda são fracos, pois não há informação suficiente ou orientação sobre processos ou dinâmicas administrativas e acadêmicas.

Questões chaves que estudantes estrangeiros esperam dos centros de estudo no Brasil começam por informações sobre opções de moradia nas cidades brasileiras. Não existe um centro de ajuda a estudantes para oferecer contatos ou dicas sobre como encontrar apartamentos bons, as implicações de alugar ou preços no mercado.

Uma rede de relacionamentos para assuntos como moradia compartilhada, uma prática muito usada em universidades dos Estados Unidos há muito tempo ou até do Equador não existe ainda nos campi brasileiros.

Da mesma forma, acredito que muitas universidades brasileiras tem deficiências naquilo que tem a ver com programas de orientação a novos estudantes estrangeiros sobre processos como inscrições, encaminhamento de documentos, processos de apresentação de diplomas e informação prévia sobre como ira a se desenvolver o calendário académico.

A oportunidade de participar em projetos de pesquisa realizados por núcleos de professores e estudantes nas universidades brasileiras são grandes vantagens que rara vez são observadas na graduação em carreiras de comunicação em países como o Equador. No entanto, estudantes estrangeiros sem experiência nas dinâmicas de relacionamento nos núcleos brasileiros podem chegar a ter um rechaço instintivo por causa da pouca informação sobre como começar a se integrar naqueles núcleos.

Há um eixo de relacionamento muito importante entre estudantes estrangeiros, professores dos programas de graduação e pós-graduação e os processos administrativos de uma faculdade que tem de ser observado para que a experiência de estudo de estudantes de fora do Brasil consiga ser de maior proveito. Assim, questões como a permanência no Brasil após a conclusão dos estudos são um exemplo.

Os escritórios das faculdades não estão preparadas para se relacionar com seus processos administrativo – acadêmicos com os estrangeiros. Dois exemplos claros desta situação são a falta de documentos como históricos escolares em outras línguas como o inglês ou a falta de newsletters dos programas de pós-graduação com informação básica mas útil ao estrangeiro como datas exatas de começo e fim de períodos de aula para planejar de traslados fora da cidade ou país, situação muito sensível para os estrangeiros especialmente.

Ao final, algumas das diferenças culturais percebidas logo por outros estudantes da América Latina por questões como a língua portuguesa começam a se permear em outros campos no relacionamento entre estudante e universidade.

As universidades federais brasileiras oferecem a estudantes de outros países da América Latina uma excelente oportunidade de estudo por causa da qualidade dos professores com título de doutor, situação contrastada com a escassez em países como o Equador. Também é importante reconhecer a vantagem do custo zero que as universidades federais têm ao contrário de muitos centros de estudos nos países de origem de muitos estudantes onde uma carreira de graduação em jornalismo pode chegar a custar mais de 50 mil reais e sem comparação na qualidade da educação.

Contudo, desvantagens ou dificuldades que estudantes de outros países possam ter ao longo do caminho de estudos no Brasil ainda não são barreiras determinantes para deixar de fora a opção de estudo no país. Mesmo assim, é preciso que as faculdades tomem cuidado no relacionamento com potenciais estudantes ou com aqueles aceitos nos programas.

Oscar Maldonado



Categorias:estudantes

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