Museu da Imigração da Ilha das Flores preserva a memória de um século marcado pelas guerras mundiais

No último dia 31 de março, a Associação Scholem Aleichem (ASA) organizou uma visita ao Museu da Imigração da Ilha das Flores, em São Gonçalo, em razão da lembrança dos 80 anos do início da II Guerra Mundial em 2019. Neste ano simbólico, a instituição propõe uma série de eventos, debates e palestras sobre diferentes temas, como a história do fascismo e a questão migratória, a fim de refletir o passado político e cultural. O projeto oestrangeiro.org se fez presente através dos extensionistas Julia Izecksohn e Rafael Vasconcelos, que integraram um grupo que reunia diversas personalidades, como o professor da UFRJ Babalawo Ivanir dos Santos e o jornalista e escritor Arnaldo Bloch (O Globo).

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O lugar escolhido para dar início ao calendário de atividades da ASA foi simbólico e reflexivo, já que a Segunda Guerra Mundial levou a uma grande diáspora que teve o Brasil como um dos países de destino. De acordo com as próprias informações do Museu, passaram pela Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores cerca de 29 mil pessoas entre 1946 e 1954, já no pós-guerra. Contudo, a visitação serviu não só para pensar a diáspora, mas discutir os movimentos migratórios para o país de maneira mais ampla e profunda. Segundo o presidente da ASA, Mauro Band, a atividade tinha o objetivo de sensibilizar sobre a questão do refúgio, pensando na valorização e no acolhimento daqueles que chegaram e chegam ao país.

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“Você era um estranho e o Brasil o acolheu”. A frase, escrita em dez idiomas na entrada do museu, apresenta o principal objetivo da Ilha durante o século XIX e XX: receber e hospedar os imigrantes que chegavam ao Rio de Janeiro. Inaugurada em 1883, ainda durante o Império, e funcionando até o ano de 1966 quando se tornou oficialmente um complexo militar, como explicado pela equipe de historiadores, a Hospedaria foi um dos mais importantes locais de recepção de imigrantes do continente: a nossa Ellis Island – em referência à famosa ilha onde chegavam os imigrantes dirigidos à Nova Iorque.

Hoje, sob administração da Marinha do Brasil, o espaço foi ressignificado para abarcar o circuito museológico sobre a imigração, cedido em 2012 por meio do Comando das Tropas de Reforço (a partir de um convênio de cooperação entre a Marinha e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro [UERJ]). O Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores propõe a preservação da história da hospedaria que, em mais de 80 anos, recebeu centenas de milhares de imigrantes de diversos grupos nacionais e étnicos.

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Esses viajantes, refugiados e sonhadores eram recebidos na hospedaria e acolhidos geralmente por pouco mais de uma semana, para que tivessem um momento de descanso após as longas viagens de navio que usualmente tinham de fazer para chegarem aqui. No entanto, como enfatizou o coordenador do projeto, Luís Reznik, historiador e professor da UERJ, a hospedaria era comumente retratada pela sociedade fluminense e pela mídia do século passado como um “grande resort para imigrantes” – como se o poder público não devesse investir em prover dignidade aos imigrantes.

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O Museu da Imigração da Ilha das Flores expressa fisicamente parte da memória da imigração para o Brasil e da formação multicultural de nossa sociedade. Dentre imigrantes em busca de trabalho que vieram ao país no século XIX e aqueles que solicitaram refúgio no século XX, pode-se assumir uma mesma condição: todos esses grupos, à procura de um lugar que os acolhesse, são parte da história brasileira.

Veja as outras fotos da visita:

Julia Izecksohn e Rafael Vasconcelos, sob supervisão de Otávio Ávila

 



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