“É preciso dar uma resposta à invisibilidade social por meio da visibilidade espacial”, afirma a pesquisadora e urbanista Natália Cidade

Foto26Com quase 60% dos refugiados vivendo no meio urbano, preparar o território para acolher e integrar aqueles que aqui chegam e, consequentemente, criar políticas públicas intersetoriais que possam atuar de forma estratégica, em diálogo com uma organização prévia e mais eficiente. É preciso conhecer, portanto, as estratégias de sobrevivência que já estão sendo traçadas pelas pessoas em situação de refúgio. Foram essas as intenções que moveram Natália da Cunha Cidade, arquiteta e urbanista, em sua dissertação de mestrado “Refugiados Urbanos Estudo Sobre a Distribuição Territorial de Refugiados no Rio de Janeiro e seu Impacto no Processo de Integração Local”, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Natália apresentou sua pesquisa e mapas que construiu da distribuição dos solicitantes de refúgio na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, no dia 12/9, durante o encontro com os alunos da disciplina “As migrações transnacionais entre teoria e mundo da vida: a perspectiva dos pesquisadores e pesquisados”, do prof. Dr. Mohammed Elhajji, na UFRJ.

O levantamento dos dados necessários à elaboração dos mapas demorou cerca de 7 meses e teve a ajuda de assistentes de pesquisa para percorrer os 4.367 formulários dos solicitantes de refúgio que chegaram no Rio de Janeiro entre 1984 e 2017. O foco era  identificar o primeiro local de residência dos refugiados ao chegarem ao estado, conforme registro nos formulários de solicitação de refúgio arquivados na sede da Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro (Cáritas RJ). Como já se esperava, as favelas e áreas periféricas foram os locais nos quais os refugiados encontraram acolhimento ao chegarem no Rio de Janeiro, uma evidência de que invisibilidades se mesclam.

A inserção espacial na cidade não é apenas descobrir como e onde os refugiados se organizam ao chegarem, mas conversar com as (im)possibilidades de acesso ao espaço público e a garantia de seus direitos e, portanto, com a própria cidadania, como afirma Natália. É preciso muito mais do que um centro de referência para se tornar uma cidade, de fato, acolhedora.

Conheça aqui a dissertação completa.

Por Gabriela Azevedo de Aguiar



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