Relatório do Acnur mostra integração de refugiados na economia canadense

68E6E9E2-D300-4653-A417-BE02AD10CE7C

V Curso de Verão sobre Refúgio e Migrações, na Casa de Rui Barbosa / Foto: Victor Fuentes Flores.

Refugiados são considerados atores importantes para a economia canadense e contribuem com a diversidade cultural, considerada uma das forças daquele país. A afirmação foi feita pela cônsul do Canadá no Rio de Janeiro, Evelyne Coulombe, durante a abertura do “V Curso de Verão – Refúgio e Migração em uma perspectiva global”, na Casa de Rui Barbosa.

Relatório recente divulgado pelo escritório canadense do Acnur mostra que um milhão de refugiados chegaram àquele país desde 1980. Com longa tradição de receber pessoas que fogem da opressão e de perseguições, o Canadá foi o país que mais reassentou refugiados em 2018. No ano passado, 18 mil refugiados se tornaram cidadãos canadenses. “O Canadá é defensor de longa data dos direitos humanos dos imigrantes e dos refugiados. Essa posição é central para a política doméstica e externa do país”, afirmou a cônsul.

Segundo Evelyne Coulombe, o relatório do Acnur derruba preconceitos sobre os refugiados e prova que eles são uma força para o seu país. De acordo com o documento, a taxa de desemprego é praticamente igual entre refugiados (9%) e canadenses nascidos no país (6%). Os refugiados se juntam à classe média do país em cinco anos e contribuem com o pagamento de impostos. Depois de 20 anos no Canadá, os refugiados contribuem mais para o país em imposto de renda do que recebem em benefícios e serviços. Metade dos refugiados (51%) está em empregos altamente qualificados, como médicos, dentistas, arquitetos, engenheiros. Cerca de 15% são empresários ou trabalham por conta própria. Quem chega ao país ainda criança atinge um maior nível de escolaridade se comparado com aqueles que nasceram no Canadá.

Com uma população em envelhecimento, o Canadá busca gente jovem e os refugiados chegam ao país cedo, em condições de contribuir durante muitos anos. O percentual de pessoas entre 25 e 54 anos de idade é maior entre os refugiados (57%) que os canadenses nascidos no país (38%). Muitos refugiados escolhem cidades menores para viver e não apenas os grandes centros. O relatório mostra ainda que há um forte sentimento de pertencimento entre os refugiados (95%), acima daqueles que nasceram no Canadá (91%).

Contribuição no Brasil com a chegada de venezuelanos – O Canadá contribui com o Brasil por meio do Fundo Canadá para Iniciativas Locais, mantido pelo governo canadense com o objetivo de fortalecer as relações entre aquele país, a sociedade civil brasileira e as comunidades locais. Forneceu infra-estrutura móvel e equipamentos para serviços de saúde e educação em abrigos de Roraima, que acolhem os imigrantes venezuelanos que chegam pela fronteira terrestre, como o abrigo indígena Pintolândia, em Boa Vista, além de iniciativas para ajudar a suprir necessidades mais urgentes dessa população. “Os direitos dos refugiados são uma questão fundamental dos direitos humanos, mas ainda falta muito para alcançar o respeito aos direitos humanos básicos no mundo”, completou a cônsul.

Por Fernanda Paraguassu
Jornalista, mestranda de Comunicação e Cultura na UFRJ e pesquisadora do grupo Diaspotics.

 



Categorias:Eventos, imigrantes, refugiados

%d blogueiros gostam disto: