A comunicação intercultural deve ser guia conceitual para intérpretes comunitários

No Brasil, são faladas mais de 250 línguas. Além de indígenas, quilombolas e estrangeiros – que, muitas vezes constituem grupos minoritários e estigmatizados –, há imigrantes que chegam ao país e buscam a inserção linguística para acessar serviços e se integrar ao novo espaço social. Com isso, surge a necessidade de tradutores e intérpretes em ambientes institucionais, tema de debate durante uma live promovida nesta sexta-feira (13/11) pelo senador Paulo Paim (PT-RS), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa. De acordo com o senador, está em discussão a obrigatoriedade de tradutores e intérpretes comunitários nesses ambientes.  

O professor titular da UFRJ e especialista em migrações transnacionais e comunicação intercultural, Mohammed ElHajji (coordenador do Diaspotics/UFRJ e idealizador das mídias do oestrangeiro.org), que também participou do debate, destacou a importância de uma mediação que vai além do aspecto lexical ou instrumental. “A tradução não deve ser concebida apenas de aspectos formais ou instrumentais, mas considerar a dinâmica cultural”, afirmou. Assim, ele ressaltou que “o guia conceitual para a tradução é a comunicação intercultural”.

ElHajji explicou que, para dar conta da totalidade do fenômeno migratório, é preciso conciliar um nível macro e outro micro. No macro, são as políticas públicas de inserção dos migrantes através de parcerias com comunidades para capacitar seus integrantes e torná-los aptos para uma mediação intercultural em contextos institucionais. O nível micro é o existencial, humano e subjetivo. Caberá ao intérprete, portanto, ajudar a construir pontes simbólicas entre o grupo migrante e a sociedade de acolhimento. “É a prática cultural enquanto gramática simbólica para uma leitura do real”, disse.

O debate contou ainda com a participação da profa. do Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução da UNB Sabine Gorovitz; da diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos, Irmã Rosita Milesi; da formadora de intérpretes e desenvolvedora de material didático para interpretação comunitária Jaqueline Neves Nordin; e do defensor público federal Gustavo Zortéa da Silva. O debate   completo está disponível no canal oestrangeiro.org, no YouTube.

Divulgação da live / Gabinete Sen. Paulo Paim

Fernanda Paraguassu
Jornalista e pesquisadora do grupo Diaspotics.



Categorias:análises, imigrantes

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