CARTA ABERTA DO II ENCONTRO DE ESTUDANTES ESTRANGEIROS DO RIO DE JANEIRO

Com o intuito de receber, dar espaço e promover a reunião entre jovens de todas as regiões do mundo explorando os interstícios da troca, foi realizado na tarde de quinta-feira 05 de dezembro de 2013, no auditório do Centro de Filosófica e Ciências Humanas (IFCH) no campus da Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o II Encontro de Estudantes Estrangeiros do Rio de Janeiro. O evento fez parte da programação do V Fórum da Imigração do Rio de Janeiro.

Questões de ordem prática foram levantadas por aqueles que vivem  diariamente a experiência de estar no Brasil como estudantes estrangeiros universitários, a maioria deles alunos da UFRJ. Os principais problemas e desafios apontados pelos jovens foram:

  • O baixo número de alojamentos disponíveis para recebê-los confrontando com os altos valores dos aluguéis de imóveis  na cidade do Rio de Janeiro, principalmente na região sul da cidade onde está localizado o Campus da Praia Vermelha da UFRJ  e também o campus do centro da cidade como o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), tendo em vista que os valores das bolsas de estudos na maioria das vezes não cobrem os custos de moradia;
  • A falta de um restaurante universitário no Campus da Praia Vermelha;
  • A não existência de um centro de referência, um órgão responsável ou até mesmo uma plataforma online que centralize, disponibilize informações, receba e acolha os novos estudantes que estão chegando à universidade. Foi observado que esta seria uma forma de criar alianças institucionais da UFRJ com a comunidades de estudantes migrantes, gerando vínculos para reforçar e construir conjuntamente novas estratégias de assistência e suporte. Este foi o principal ponto levantado pelos jovens;
  • Maior reconhecimento das pesquisas que envolvam temas de migrantes no Brasil e na comunidade de estudantes estrangeiros para assim haver uma melhor compreensão sobre a real vivência destes jovens estudantes e suas práticas diárias;
  • A reivindicação por aulas gratuitas de língua portuguesa para estudantes de pós-graduação estrangeiros da universidade. Para os alunos de graduação não há custos, no entanto, atualmente, como citado por um dos jovens presentes, os valores das aulas oferecidas pelo programa de extensão do curso de Letras da UFRJ custam em torno de R$ 280 por bimestre;
  • O auxílio e a assistência de uma creche para as mães estudantes estrangeiras, que além de enfrentarem os mesmos desafios da maternidade das mulheres brasileiras não possuem suas famílias na mesma cidade que residem para ajudar na criação de seus filhos.  De acordo com o relato de uma jovem mãe no evento, os horários e as distancias das creches públicas oferecidas pelo governo brasileiro não condizem com a realidade de muitos estudantes;
  • Valorização das produções científicas produzidas em espanhol, gerando assim um maior contemplação dos trabalhos realizados principalmente por estudantes latino-americanos.

Alem destes principais pontos destacados, uma questão maior foi levantada de forma consensual pelos jovens presentes: Que estudantes estrangeiros realmente queremos nas universidades brasileiras, os já privilegiados socialmente ou jovens oriundos de todos os lugares do mundo, que recebam apoio e auxilio durante sua vida estudantil enquanto aqui estão?