em pauta

NO RIO, AQUELE ABRAÇO

Na Tijuca ou em Botafogo, o Rio de Janeiro oferece um curso de idiomas diferente: ter um professor refugiado. Cada bairro tem uma unidade do Abraço Cultural, um negócio social que une educação e cultura. Muita cultura.

# em pauta

A XENOFOBIA VENDE

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De um lado, a polémica em torno da campanha contra xenofobia. É verdade que nem todos os negros brasileiros são descendentes de escravos. E é positivo, neste sentido, que se escolha a figura de um jovem negro como protagonista da história nacional recente. Mas, é verdade que todo cuidado é pouco quando se trata de imagens e/ou palavras que, pela força das associações, remetem a um dos piores crimes contra a Humanidade da História. Em todo caso, a controvérsia teria servido para tocar em dois assuntos igualmente sensíveis: xenofobia e racismo que, aliás, no caso da imigração africana e haitiana andam de mãos dadas. É, com certeza, melhor que as tradicionais políticas amnésicas e omissas às quais fomos acostumados.

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Por outro lado, o (mais um) lamentável exemplo de indigência conjugada ao cinismo de nossa imprensa nacional. As 163 famílias sírias inscritas no programa Bolsa Família (no valor máximo de R$ 175,00 mensais – vale lembrar) propulsados em manchete delirante que destaca o aumento estratosférico de 600% dos beneficiados com relação ao ano 2014 quando eram 23. Como bem aludiu Luis Nassif, a manchete podia ir mais e revelar em sua clara lógica matemática que o total de beneficiados sírios teve um crescimento infinito comparado ao ano 2013 quando esse número era zero. É verdade que o ridículo não mata. Mas a xenofobia sim.

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Num caso como no outro, o que vemos é que a temática da xenofobia vende. Pro bem ou pro mal.

o estrangeiro #

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ANISTIAR É PRECISO – REFORMAR É IMPRESCINDÍVEL

O relator da comissão especial que analisa o projeto da Lei da Migração, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), se declarou favorável a anistiar todos os estrangeiros em situação irregular no país, antes de a nova legislação migratória entrar em vigor.

Sabemos que os resultados alcançados pela última anistia ficaram aquém do esperado –por motivos principalmente burocráticos formais (prazos, documentação exigida, etc..) e financeiros (em consequência das altas taxas estipuladas) e não por razões técnicas e/ou de elegibilidade.

Por outro lado, se deve considerar o número substancial de estrangeiros que ingressaram o país depois de 2009 e que continuam em situação de irregularidade administrativa. Não por falta de vontade, mas pela extrema complexidade da burocracia brasileira e a inexistência de uma política migratória nacional digna deste qualificativo.

Situação que, além de penalizar homens e mulheres que precisam reconstruir as suas vidas, priva o país do enorme potencial criativo e produtivo trazido pelos migrantes.

Assim, na falta de uma política migratória clara, ágil e movida por princípios de justiça social e dignidade humana, a ideia de uma ampla anistia migratória só pode ser saudada e apoiada pela classe política e sociedade civil.

Ainda que o gesto, certamente nobre, não deve desviar a atenção e o debate do verdadeiro cerne da questão migratória: o novo projeto da Lei da Migração que, apesar de representar um relativo avanço social e político no país, continua regido por dispositivos criminalizantes e preocupações securitárias.

o estrangeiro #