Professor de escola pública, engajado em projeto social que visa à educação no Brasil, Xu Lu é um jovem de origem chinesa que “ensina uma língua e ganha culturas”.

Ele não veio para as plantaçoões de chá nem fugindo da guerra na China em 1950. Não trabalha nas pastelarias nem nas movimentadas lojas do Brás, em São Paulo. Xu Lu veio para o Brasil no início de 2012, com visto, planos e uma missão: ensinar chinês para os adoleascentes de escolas públicas no Rio de Janeiro.

Sua cidade natal é JinZhou (ou Chinchow), localizada na província de Liaoning – nordeste da China. Fundada no século II A.C, já se chamou Chinhsien e hoje possui cerca de 800 mil habitantes. Em 2007, porém, se mudou para a província de Sichuan para concluir os estudos na Universidade local. Considerada uma das maiores províncias da China, está situada na parte ocidental do país e possui 4 milhões de habitantes aproximadamente. “Foi uma diferença grande sair da minha pequena cidade e ir para a cidade grande, mas na China isso é normal e sabemos que devemos fazer isso para estudar e conseguir um bom trabalho”, explica Xu.

Na universidade, Xu Lu não sabia que carreira gostaria de seguir exatamente. Cursou a chamada “escola de direito e línguas”, mas acabou optando por ser professor de chinês. “Podemos dizer que sou um advogado por formação, só que nunca trabalharia com isso. Gosto do chinês, de línguas”.

Para o Brasil, dedicação…

De gestos comedidos e um inglês impecável, Xu Lu ri timidamente quando seu portugês é elogiado. Antes de vir para o Brasil, já sabia como se comunicar em casos de urgência. Aqui, em menos de uma semana, se arriscava pelas ruas para aprender à força como ser entendido. Em um mês, já estava dando aulas em turmas cuja idade variava entre 14 e 16 anos.

“No meu país, somos ensinados que temos que estudar muito e por conta própria se queremos alcançar um objetivo. Acho que o que falta um pouco é ensinar o peso da dedicação”. Comparando os dois países, Xu Lu avalia que há uma grande diferença no sistema educacional aplicado em cada um deles, mas que essa diferença parte mais da maneira de viver.

Chinês pelo mundo

O programa do qual faz parte é financiado pelo governo chinês e visa expandir a cultura chinês pelo mundo. Antes de vir para o Brasil, Xu já tinha ensinado na Indonésia. Além do Rio de Janeiro, diversas outras cidades também receberam outros professores, como Brasília e São Paulo. E as escolas públicas não são o único alvo: universidades como a PUC também têm pólos de ensino de mandarim para os estudantes.

Outros países também eceberam os chineses, como é o caso de Estados Unidos, Argentina, Canadá. Apesar de não ter escolhido vir para o Brasil, Xu Lu afirma ter ficado bastante satisfeito e que foi até uma “sorte”, já que sempre demonstrarta interesse pelas terras tupiniquins.

“No meu país, sabemos que a cultura brasileira é diferente, ms também sabemos que o seu país recebeu nossos povos por vários anos”, relembra sorrindo. Desde que chegou, a maior dificuldade para ele é lidar com a ameaça da violência. Assaltado há menos de duas semanas, Xu Lu confessa que o índice de violência na cidade carioca é muito maior que na sua antiga cidade e que, por isso, acaba não prestando atenção como deveria.
Para interagir mais e aprender mais raidamente a língua e cultura, o professor de mandarim tratou de logo fazer amizades com brasileiros. Até um grupo de estudos de mandarim-português montou. Nas horas livres, procura museus, que para ele, não faltam no Rio de Janeiro. “Gosto muito de artes e a cidade tem muitos museus e galerias interessantes. Se vocês não concordam talvez seja porque não conhecem todos”, brinca.

Quando a saudade aperta, porém, procura o restaurante de uma família chinesa que conheceu na Tijuca, bairro onde mora. Apesar de a comida não ser como a da sua mãe, “dá pra sentir um pouco o gostinho de casa”.

Larissa Rangel