Mais de 700 mil imigrantes sonham com vida em SP.  Profissionais de fora vêm trabalhar no mercado brasileiro. Número de estrangeiros aumentou 60% em 2 anos.

O assalto que resultou na morte de Tommaso Lotto, de 26 anos, no Itaim Bibi, no último sábado (21/07/2012), pôs fim aos planos de um bancário italiano que havia chegado um dia antes para morar e trabalhar no Brasil. Um sonho compartilhado por mais de 1,5 milhão de pessoas de fora que estão legalmente por aqui, quase a metade no estado de São Paulo, de acordo com dados do Ministério da Justiça. O número é 60% maior do que em 2010, quando havia 961 mil estrangeiros no país.

Para o advogado Grover Calderón, presidente da Aneib (Associação Nacional de Estrangeiros e Imigrantes no Brasil), esse crescimento ocorreu porque pessoas com o perfil de Lotto também passaram a ter interesse pelo Brasil. “Neste momento, a maioria tem qualificação e vem de países em crise econômica, à procura de trabalho, já que o Brasil está precisando de mão de obra qualificada para diversos setores. No caso dos europeus e americanos, a falta de emprego por lá faz com que olhem para nosso país, onde são requeridos pelo preparo tecnológico que têm”, diz Grover, peruano que está há 15 anos em São Paulo.

Segundo o presidente da Aneib, os estrangeiros com qualificação vêm para trabalhar principalmente em bancos, montadoras, setor da construção civil e telefonia. Ganham salários que permitem manter uma vida de alto nível e morar em bairros nobres, como Pinheiros e Itaim Bibi.

Os portugueses representam a maior comunidade de estrangeiros no Brasil. São 331.162 legais no país. O engenheiro civil Marco Figueiredo, de 35 anos, chegou em janeiro e mora no Pacaembu, na Zona Oeste da capital paulista. Conseguiu trabalho no primeiro mês e está indo para outro, devido a uma proposta melhor de remuneração. “Não há emprego em Portugal. Aqui tem muita vaga na minha área, não só pela Copa e Olimpíada, mas porque o país está crescendo e necessita de obras”, afirma. O português faz planos de continuar muito tempo por aqui e não é só na vida profissional que está mais feliz. “Acabo de ficar noivo de uma brasileira.”

Latinos-americanos, que têm histórico de emigração para o Brasil em busca de trabalhos braçais, também estão vindo à procura de ascensão profissional. É o caso do confeiteiro chileno Luis Balboa Coñoen, de 33 anos, que veio em 2011 para São Paulo. “O Brasil tem um mercado muito bom na área de gastronomia”, fala. Ele trabalhou em restaurantes da cidade e agora é consultor em uma empresa.

Silvério Morais

(Diário de SP – 25/07/2012)