Em janeiro de 2010, um terremoto de 7 graus na escala Richter com epicentro a 22 km da capital do Haiti (Port- au- Prince) – seguido por mais dois outros tremores, alterarou drasticamente o dia-a-dia dos haitianos.

O país já era ocupado por tropas de missões humanitárias, a do Brasil era a mais significante na época, que tinha como missão garantir os direitos humanos dos haitianos que viviam em situação de guerra civil. A motivação para sair da ilha caribenha aumentou diante do tamanho das dificuldades enfrentadas.

Assim, mesmo depois de dois anos do terremoto, muitos habitantes da ilha ainda estão chegando ao Brasil, principalmente pelas rotas ilegais. Eles deixam Porto Príncipe de navio e atravessam o Mar do Caribe até chegarem ao Panamá, de lá seguem para o Equador e depois para o Peru. Dos portos de Lima, os grupos seguem de ônibus, táxis e até mesmo a pé pela Rodovia Transoceânica rumo ao Brasil. Muitos coiotes aliciam esses haitianos com a promessa de uma vida próspera em terras brasileiras, especialmente no polo industrial de Manaus.

Devido à proximidade geográfica e a falta de controle das fronteiras, a Amazônia virou porta de entrada desses haitianos. Brasileia no Acre e de Tabatinga no Amazonas, são as duas cidades com o maior número de haitianos, pois têm postos da Polícia Federal, onde é feita a emissão dos documentos necessários.

Em Tabatinga, esperavam cerca de um mês por um visto provisório. Um ano e meio após o terremoto a procura era tamanha que apenas ali tinha cerca de 500 haitianos esperando pelo tal visto provisório como refugiado no Brasil. Segundo as autoridades locais, os haitianos não provocavam tumulto, apesar de muitos deles se concentrarem na atividade informal no afã de juntar dinheiro suficiente para ir à Manaus, onde são abrigados pela Igreja Católica.

Como muitos são evangélicos, a Igreja Assembléia de Deus também se mobilizou na região para acolher os haitianos. Alguns trouxeram até cartas de recomendação de seus pastores.

A economia brasileira em expansão, a oferta de empregos no polo de Manaus tem absorvido a mão de obra haitiana, como operários na indústria de base e construção civil, recebendo um salário mínimo. É claro que chegam pessoas dos mais variados perfis, desde aqueles com ensino superior e bilíngue até casos mais inusitados como de um jogador da seleção haitiano de futebol, recebido pela Pastoral do Migrante. Ele deixou a Ilha em busca de emprego no centro industrial, onde há a concentração das grandes multinacionais em ação no Brasil.

Conforme dito anteriormente, a cidade de Brasileia também recebe um grande número de Haitianos. Lá, a prefeitura não mede esforços para ajudá-los. Apesar do estreito orçamento do municipio, determinou que os refugiados receberão assistência médica e alimentar do governo do Acre, além do direito a abrigo.

Em 12 janeiro de 2012 entrou em vigor a Resolução nº 97/2012 do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), estabeleceu que a Embaixada Brasileira no Haiti concederia cem vistos de trabalho ao mês para aqueles haitianos que desejassem vir para terras brasileiras (Acesse aqui o documento compelto).
O governo implantou uma medida para facilitar a entrada dos haitianos no Brasil, o que não acontece de fato. Por exemplo, na mesma época a Polícia Federal passou a barrar haitianos que chegavam sem a permissão de entrada. 273 foram barrados ao chegar em Assis (Acre) e esperaram quase três meses em Iñapari (cidade peruana, fronteiriça à Assis), quando foram autorizados pela administração do governo federal. Naquele momento alguns já tinham desistido de esperar e 245 receberam a tal autorização.

Além disso, muitos haitianos tem procurado a embaixada brasileira em Porto Príncipe, interessados em obter o visto. Entretanto devido às exigencias burocráticas -ter o passaporte em dia, comprovar ser residente do Haiti, além de apresentar bons antecedentes- barram muitas concessões. Além de todos esses documentos, a emissão do visto custa US$200.

O Ministério da Justiça divulgou que desde 2010 mais de 4mil haitianos entraram no Brasil, e desses 1,6mil estão anistiados pela Resolução nº797/2012 do CNIg. Enquanto que até o ano de 2010, os haitianos que chegavam aqui eram basicamente estudantes em rotas legais. Tanto pelo programa de graduação ou pós-graduação, nos últimos cinco anos, só o programa Programa de Estudantes Convênio de Graduação (PEC-G) selecionou 41 jovens.

Ruana Corrêa