Brasil recebe 30 milhões de euros de 394 investidores espanhóis.

30 milhões de euros. Esse é o valor que 394 investidores espanhóis retiraram desde 2009 de suas contas bancárias na Espanha e cujo destino foi a economia brasileira. Todo mundo conseguiu um visto de investidores no gigante sulamericano. Só no ano passado, esses cidadãos colocaram 12,5 milhões de euros nos bancos do país sulamericano. Os expatriados espanhóis foram a segunda nacionalidade em investimento no Brasil, atrás apenas dos imbatíveis italianos. Desde 2009, 5923 espanhóis conseguiram visto para trabalhar no Brasil.

Em plena crise na Europa e nos Estados Unidos, o número de estrangeiros que vêm ao Brasil para trabalhar quebrou um recorde no primeiro semestre. Durante esse período, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) concedeu 32.913 vistos, o que representa um crescimento de 25% em relação ao ano anterior – ou seja, 6.368 vistos mais. E a tendência é que cresça nos próximos anos, como projetado pelo governo de Dilma Rousseff.

O Brasil é um país exigente em matéria de imigração. Não é fácil instalar-se em um dos 27 estados brasileiros, com todos os documentos em ordem para viver e trabalhar. Uma opção é o casamento com um cidadão brasileiro. Depois de estabelecer uma relação estável (as autoridades brasileiras entendem que isso significa mais de cinco anos), o Brasil concede uma autorização de residência por uma década: outra opção é a transferência de uma empresa para trabalhar no pujante país sulamericano, e outra, a figura do investidor, que tem que trazer para o Brasil o equivalente a 150 mil reais (ou 60.000 euros) para obter os documentos que permitem viver e trabalhar no Brasil. A última alternativa é ser um atleta de elite, como Clarence Seedorf, que joga há dois meses no Botafogo.

Desde 2009, são 394 os espanhóis que se estabeleceram no Brasil como investidores. O número veio crescendo até o primeiro semestre de 2012, quando 56 receberam o visto das autoridades brasileiras, a maior quantidade desde que o Brasil contabiliza as estatísticas. Em 2009 foram 81 licenças, 90 em 2010 e 119 em 2011. A Espanha é o quarto país em número de investidores, apenas atrás da Itália (118 vistos no primeiro semestre de 2012), o líder indiscutível, Portugal – cada dia mais afetado pela crise e com fortes laços com o Brasil – e a pujante China, cujos compatriotas estão sempre em busca de países em que há grande atividade econômica. No ano passado, 1.105 estrangeiros se estabeleceram no Brasil como investidores.

Mas quantos euros os investidores retiraram de bancos espanhóis para transferir para o Brasil? De acordo com o relatório do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a partir de 2009 foram 74.294.634 milhões de reais, o equivalente a 30 milhões de euros. Nesse ano os investidores espanhóis foram a terceira nacionalidade que mais aportou fundos à economia brasileira, atrás apenas da Itália e de Portugal. Um ano depois, estávamos na mesma posição. Foi no ano passado, durante a crise, que a Espanha ficou em segundo lugar, com quase 12,5 milhões de euros (16% de todos os fundos que vieram de fora do Brasil). Este ano, o montante é igual ao dos empresários chineses, mas o dobro dos franceses. Mas ainda longe dos italianos, que desde 2009 trouxeram para o país o equivalente a 126 milhões de euros.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) brasileiro também forneceu o número de vistos de todos os tipos (temporário ou permanente) e nacionalidades. A Espanha está em décimo terceiro lugar. Pode-se afirmar que 5923 espanhóis deixaram a Espanha desde 2009 para viver no Brasil, com documentação legal. O número é muito confiável: nada a ver com os da Espanha, referentes aos expatriados espanhóis que se inscrevem nos consulados ou embaixadas dos países a que chegam. Muitos não fazem isso. O boom aconteceu no ano passado com 1.833 vistos concedidos. Em 2010 foram 1.457 e em 2009, no início da crise, foram 1104 vistos obtidos pelos espanhóis.

Quanto ao visto permanente o Brasil tramitou 136 para espanhóis, número muito semelhante ao do ano passado (269). Em 2010 foram 223 e 148 um ano antes. Atrás do Japão, da Itália e de Portugal. 69 executivos espanhóis foram transferidos por suas empresas para o país sulamericano este ano, um número semelhante ao de 2011, quando chegaram 116, localizados principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Surpreende, no entanto, que a Espanha não esteja entre os dez primeiros países na concessão de visto temporário. O ranking é liderado pelos Estados Unidos (4539), seguido pelas Filipinas, cujos funcionários trabalham em navios de cruzeiro, petróleo e gás, Reino Unido, Alemanha, Índia e China até somar 28.980 vistos de trabalho temporário no Brasil. O MTE garante que 172 candidaturas foram aprovadas para trabalhar com um contrato de até dois anos.

Também aumentou o número de espanhóis casados com brasileiros que se mudaram para trabalhar no Brasil. No primeiro semestre foram 18, e em 2009 foram 16, número que chegou a 23 em 2010 e 38 no ano passado. Continuam sendo poucos casos.

O Brasil é um país muito protecionista. O estrangeiro que não seja investidor só pode residir no Brasil se o seu trabalho não puder ser realizado por um cidadão brasileiro. “Os estrangeiros são necessários para a expansão de alguns setores da economia, para a implementação de determinados projetos”, diz Paulo Sérgio de Almeida, da coordenação de imigração do Ministério do Trabalho.

A maioria – não há dados específicos sobre os espanhóis expatriados – trabalha em embarcações e plataformas de petróleo e gás. Em segundo lugar estão os especialistas técnicos de manutenção de equipamentos importados e, em terceiro lugar, estão artistas e atletas. A pujante economia do Brasil disparou na emissão desse tipo de visto temporário. No primeiro semestre foram concedidos 5696, 26,5% a mais que em relação ao ano anterior no mesmo período. No ano passado, 12 mil vistos foram concedidos, de acordo com a Coordenação Geral de Imigração (CNIg).

(EL CONFIDENCIAL – 03/09/2012)

Tradução: Ricardo cabral