O número de autorizações de trabalho concedidas a estrangeiros somou 73,022 mil em 2012, uma alta de 3,5% em relação ao ano anterior. O aumento foi ainda mais significativo na categoria empregos permanentes. Neste caso, foram concedidos 5.835 vistos, um volume 26% acima do contabilizado em 2011.

Na categoria de empregos permanentes, com autorização de dois anos ou mais, o setor de petróleo liderou a lista de atividades mais buscadas, seguido por serviços de engenharia, consultoria empresarial, fabricação de automóveis e construção civil.

Entre as nacionalidades dos estrangeiros que migraram para o Brasil no ano passado, Portugal foi o país que mais enviou trabalhadores (848 vistos de trabalho). Depois dos portugueses, destacaram-se os chineses, os americanos e os espanhóis.

— O número final de mais de 70 mil vistos é um dado bruto, que envolve situações bem distintas: desde a vinda de um técnico para consertar uma máquina até o profissional que vem para o Brasil trabalhar em uma empresa brasileira, traz a família e se enraíza mais no país — explica Paulo Sérgio de Almeida, presidente do Conselho Nacional de Imigração.

De acordo com Almeida, São Paulo foi o estado que mais atraiu trabalhadores, com 2.891 vistos, seguido pelo Rio de Janeiro, com 1.446 autorizações. Minas Gerais veio em terceiro lugar, com 361 imigrantes.

As principais ocupações são em níveis gerenciais, nas áreas de produção e operações, de pesquisa e desenvolvimento, analistas de negócios e analistas de sistemas. Técnicos em mineração e engenheiros também se destacaram. Já o número de diretores de empresas cresceu 22%.

— No caso dos diretores, isso significa que novas empresas de capital estrangeiro que se estabeleceram no Brasil estão trazendo seus executivos para trabalhar aqui — explica Almeida.

Outro dado relevante, destaca ele, diz respeito às pessoas físicas que trazem para o Brasil suas economias para investir no país, em geral abrindo uma firma ou se associando a alguma empresa. Neste caso, houve 1.176 autorizações, volume que corresponde a um aumento de 15%. Os investimentos desses estrangeiros somaram, no ano passado, R$ 286,4 milhões.

O Ministério do Trabalho afirma que um sistema de imigração mais ágil está sendo implementado para simplificar o processo de autorização de trabalhadores estrangeiros no Brasil. O sistema permitirá que todo o procedimento seja feito pela internet, com certificação digital. O objetivo é eliminar totalmente os documentos enviados em papel e reduzir o prazo de tramitação, que hoje dura em média 22 dias.

— Estamos trabalhando em uma nova política, para trazermos trabalhadores qualificados para o Brasil — enfatiza Almeida.

O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, Moreira Franco, defendeu na última terça-feira (29/01/2013), em evento no Rio de Janeiro, uma política que incentive a imigração de trabalhadores qualificados. “A política migratória é um tema que diz respeito à própria natureza de uma sociedade. Estamos tratando de fluxo migratório para influenciar o processo produtivo. Precisamos que esse debate seja estendido, para que as pessoas possam compreender melhor a dimensão disso”, disse o ministro em texto publicado pela SAE.

De acordo com ele, o Brasil precisaria ter cinco vezes mais imigrantes para alcançar a média latino-americana, dez vezes mais para alcançar a média mundial e 50 vezes mais para chegar aos números da América do Norte e Oceania.

Além de mecanismos para diminuir a burocracia, Moreira Franco propôs modernização do processo de concessão de vistos e tratamento diferenciado aos imigrantes interessados em trabalhar em setores mais carentes de profissionais qualificados. “Não há razão para que os jovens de Portugal e Espanha, que vivem atualmente em meio a uma crise, não vejam no Brasil uma oportunidade de trabalho”, destacou durante o evento.

(Agências 30/01/2013)