Rio de Janeiro terá centro de apoio aos imigrantes na paróquia Santa Cecília.

O trabalho com os marinheiros e a sua origem Scalabriniana, levou o Padre a perceber a importância de um trabalho mais específico com os migrantes que chegam à cidade carioca. A partir da segunda quinzena do mês de fevereiro deste ano, outro padre chegará a Paróquia para realizar um trabalho mais próximo a essas pessoas. Haitianos, colombianos, peruanos e todas as outras nacionalidades do globo poderão ser atendidas no local. Os modos de apoio e ajuda ainda não foram estabelecidos. No entanto, o desejo de que a Paróquia Santa Cecília seja vista como a Paróquia do migrante já é externado por ele.

Quem passa pela Paróquia Santa Cecília, localizada em um bairro da zona sul do Rio de Janeiro, não imagina o trabalho desempenhado em nome do amor e do respeito por parte de sua congregação.  Com o objetivo de promover a dignidade e melhores condições de vida aos marinheiros, há mais de doze anos, eles realizam uma atividade de cunho humanitário e religioso, o Apostolado do Mar. Hoje, supervisionado pelo Padre Cesar.

O Apostolado foi criado em 1899, em Glasgow, na Escócia, com o propósito de ser um centro de acolhimento para os trabalhadores do mar. Com o inicio da Primeira Guerra Mundial, em 1914, as atividades foram interrompidas e foram retomadas apenas em 1920 com a benção da Santa Sé, o que possibilitou a estabilização do trabalho por todo o mundo.

Atualmente, o Apostolado do Mar está incorporado ao Pontifício Conselho para os Migrantes e Itinerantes. Seu principal objetivo é oferecer cuidado humano, jurídico e religioso a todos os trabalhadores marítimos. Esse cuidado também se estende as famílias e dependentes dos marinheiros, pois, muitas vezes, o Apostolado torna-se uma espécie de mediador entre eles. Por meio de casas de acolhimento (o Centro Stella Maris), transporte, alimentação, telefonia e internet, esta ajuda ganha contornos práticos. Celebrações, confissões e aconselhamento também são outras formas de apoio a esses trabalhadores.

No Brasil, este trabalho iniciou-se na década de 1970, em Santos, onde está localizado o maior porto do país e da América Latina. O Bisbo diocesano, Dom David Picão, foi a primeira pessoa a iniciar esta atividade com o apoio dos Missionários Scalabrinianos, cujo carisma é trabalhar com os migrantes e itinerantes. Em um período mais recente, 1998, um Centro Stella Maris foi criado no Rio de Janeiro e em 2010 no Rio Grande do Sul, também sob responsabilidade dos Missionários Scalabrinianos. Somando um total de sete casas de apoio junto a Fortaleza, Pernambuco e Vitória.

Com exceção do Rio Grande do Sul, o Rio Janeiro é a única cidade que possui um Centro Stella Maris dentro do porto. Para o Padre Cesar, isso apresenta tanto pontos negativos quanto positivos. A facilidade situa-se no fato dos marinheiros poderem ir a pé ao encontro da casa de apoio. No entanto, há uma dificuldade de se acessar as tecnologias na localidade. “Não há acesso à internet rápida”, informa ele. Essa situação leva ao aumento dos gastos, já que é necessário utilizar internet a rádio, um produto bastante caro.

O trabalho do Padre Cesar, junto aos seus dois funcionários, ocorre de segunda-feira à sábado e, quando necessário, aos domingos também. O respeito à vida e a todo e qualquer cidadão, leva essas três pessoas a estarem de meio dia às nove horas da noite diariamente no porto do Rio de Janeiro. Ajuda para entrar em contato com a família, informações sobre a cidade, garantia dos direitos laborais e ritos ecumênicos são algumas das atividades realizadas. Devido ao fuso horário de alguns países, este jornada pode ser estendida.

O trabalho com os marinheiros e a sua origem Scalabriniana, levou o Padre a perceber a importância de um trabalho mais específico com os migrantes que chegam à cidade carioca. A partir da segunda quinzena do mês de fevereiro deste ano, outro padre chegará a Paróquia para realizar um trabalho mais próximo a essas pessoas. Haitianos, colombianos, peruanos e todas as outras nacionalidades do globo poderão ser atendidas no local. Os modos de apoio e ajuda ainda não foram estabelecidos. No entanto, o desejo de que a Paróquia Santa Cecília seja vista como a Paróquia do migrante já é externado por ele.

A longa rotina de trabalho desempenhada pelo Padre é encarada de uma forma bastante natural. Ele não se mostra nem um pouco cansado. Ao contrário, mostra-se, por meio de um olhar esperançoso, que ainda há muito mais o que fazer. E é este sentimento de empatia com o próximo junto ao amor e a vontade de promover dignidade e respeito para qualquer pessoa é o que move este Padre. Mais que um ato religioso, Padre Cesar, realiza um ato humano.

Iamê Barata