Família coreana se instalou no Recife desde a década de 1960. Italiano e argentina moram no Sítio Histórico e têm filho olindense.
Os atrativos econômicos e sociais do Recife e de Olinda vêm conquistando muita gente de fora do Brasil. O Bom Dia Pernambuco desta terça-feira (12/03/2013), aniversário das duas cidades, mostrou uma família coreana que escolheu a capital pernambucana para se estabelecer e um casal italiano que decidiu criar em Olinda seu primeiro filho.
Para o jornalista, acupunturista e comerciante Kong Pil Choi, seria impossível não amar a cidade que ele escolheu para viver e que o acolheu como um filho. Esse cidadão recifense – título que ganhou da Câmara de Vereadores – veio para o Brasil com a esposa em 1965 para viver no Rio de Janeiro e trabalhar como repórter correspondente de um jornal da Coreia do Sul. Mas depois que conheceu o Recife, em uma reportagem sobre a Sudene, não quis saber de outro lugar.
Ele e a esposa criaram no bairro do Espinheiro, na Zona Norte, um pedacinho da Coreia. No restaurante servem comidas típicas como o burgogui, o churrasquinho coreano de contrafilé. Quem vem tem que experimentar e comer com a mão. “É diferente de São Paulo e do Rio. Aqui tem calor humano. As pessoas se aproximam sem interesse e tudo isso me cativou”, conta Pil.
Pil faz questão de falar sobre a cultura coreana e receber os visitantes como foi recebido pela cidade. A esposa dele, a comerciante Soon Choi, é outra apaixonada. “Ah, eu cheguei em Recife, ‘que maravilha, praia!’ Apaixonei. Agora não posso mais sair, estou naturalizada, sou brasileira, já tenho netos”, afirma ela.
A paixão do casal coreano é a mesma que o cientista político e fotógrafo italiano Diego Di Niglio vive todos os dias. Ele nasceu na Itália, morou na Argentina e vive em Olinda há dois anos. Mora no centro histórico, lugar que não cansa de ver através da lente. Sua primeira exposição está em cartaz – é sobre a África. Ele foi para lá da mesma forma que veio a Olinda pela primeira vez, em 2004.
“Quando cheguei em Olinda pela primeira vez, foi o ano de 2004, atravessando todo o Nordeste do Brasil, já vinha com a ideia de visitar Olinda. Sempre gosto de visitar cidades históricas. Cheguei, fiquei quatro ou cinco dias e me apaixonei. Voltei pensando ‘seria interessante morar em Olinda'”, relata Diego.
Não foi difícil convencer a esposa, argentina, a trocar Buenos Aires pela cidade patrimônio brasileira. “Ele falou muito bem da cidade de Olinda. Então eu adorava ele, adorei a cidade também. Gostei muito da cidade, do mar, e da gente. Tem muita cultura e vida”, relata Lia di Niglio, cientista política. E foi só respirar os ares pernambucanos que a família cresceu. Hoje Santiago tem um ano e é fácil perceber onde ele nasceu. Como todo olindense ele adora um pouquinho de barulho – e “atrapalha” a entrevista criando sons com todos os brinquedos que param em suas mãos.
“Foi um namoro que se deu no primeiro dia que cheguei e continua dessa forma. Não tem um lugar que gosto mais. Dependendo do dia, dependendo do horário, do lugar e das pessoas, tem um canto diferente da cidade. Você se encontra em qualquer canto, uma calçada… Talvez fale da mesma coisa todos os dias com as mesmas pessoas, mas isso já é um código para a gente se comunicar e se sentir todo dia mais olindense, e não estrangeiro”.
(G1 – 12/03/2013)
