Diante de uma plateia de prefeitos repleta de pleitos, entre eles a contratação de médicos estrangeiros, a presidente Dilma Rousseff declarou na noite de hoje ser a favor de comprar a briga e “importar” os profissionais para a rede pública.

Segundo a presidente, há várias formas de espalhar médicos, em especial, pelo interior do Brasil, onde há carência maior de profissionais.

Uma delas, explica Dilma, é a redistribuição. “Você não aumenta, você redistribui. Tiramos o médico que acabou de formar, incentivamos a prestar serviço no interior do país e colocamos nas regiões mais necessárias”. A outra, segundo a própria presidente, é trazer “médicos de fora”.

A proposta de importar médicos, contudo, não é consenso. “Não podemos fingir que não tem resistência. Tem resistência, temos que ver se o beneficio vale a briga. Tenho que dizer que o benefício vale essa disputa e discussão”, disse a presidente.

As entidades médicas no Brasil têm opinião contrária e criticam duramente a ideia de flexibilizar a entrada dos diplomas internacionais. Para o CFM (Conselho Federal de Medicina), o problema é a má distribuição de médicos.

Contudo, o Ministério da Saúde calcula um déficit de 160 mil médicos, que será suprimido apenas em 2035 se mantida a presente situação. Dilma disse que a relação do número de médicos para a população brasileira “deixa a desejar quando comparados com indicadores de países avançados”.

O governo federal já estuda uma forma de facilitar a atuação de médicos estrangeiros e de brasileiros formados no exterior na rede pública de saúde. Atualmente, esse ingresso é feito principalmente pelo Revalida, exame tido como difícil e com alta taxa de reprovação. Os prefeitos, contudo, pressionam a presidente para autorizar a contratação dos estrangeiros.

Fernanda Odilla

(Folha Press – 23/04/2013)