Porto Real, RJ, quer ser reconhecida como primeira colônia italiana do país.

“O documento solicitando o reconhecimento de Porto Real (RJ) como a primeira colônia italiana no Brasil já está em Brasília”, contou Ariosto Roberto Pederassi Júnior, coordenador da Associação Vittorio Emanuele II.

Os imigrantes começaram a se instalar na cidade em 1875. Descendente de italianos, Ariosto luta junto com outros moradores para manter as tradições vivas. “O passo mais importante é conseguir o reconhecimento. Enviamos o documento há seis meses e só estamos aguardando a assinatura da presidente Dilma. Então, será oficial”, disse o coordenador, esperançoso.

Segundo a Associação da Cultura Italiana, a população de Porto Real (RJ) é de aproximadamente 15 mil habitantes, sendo que 1.500 são descendentes de italianos. No ano de 1999, muitos foram figurantes da novela Terra Nostra, exibida pela Rede Globo. “Eram 14 pessoas e eu fui ficando até o final. Por ter intimidade com os animais e gostar muito, foi fácil para mim”, contou Ariosto.

Para o descendente de italiano, a participação na novela trouxe mais do que um simples reconhecimento na cidade onde vive. “Com a novela nós montamos exposição de fotos, fizemos visitas aos colégios e até um cartão-postal das gravações. Mas, a melhor parte foi identificar a história da minha família na novela. Foi uma experiência inédita”, explicou. O avô de Ariosto chegou ao Brasil em um navio. O tio, que faria a viagem da mesma forma, morreu na embarcação e foi jogado no mar.

O sobrenome, passado de geração em geração, não ficou apenas entre a família. A rua onde acontece a Festa da Cultura Italiana tem o nome em homenagem ao tio do descendente, Estevão Domingos Pederassi, e a rua da 100ª DP de Porto Real (RJ), homenageia o pai, Ariosto Roberto Pederassi. “A gente luta para não deixar terminar, temos bastante cultura, influência, história, e não vamos deixar morrer”, concluiu.

Francine Correa Gomes de Jesus, de 14 anos, e Vanessa de Paiva K. Provazi, de 12 anos, moradoras de Porto Real (RJ), fazem parte de um grupo de dança italiana há quatro anos. Francine não tem descendentes italianos, mas se apaixonou pela cultura. “Eu gosto muito da dança e a história da Itália me apaixonou, me chamou atenção. Fico pensando como tudo isso veio parar aqui na cidade”, disse a jovem dançarina. Diferente de Francine, Vanessa é descendente de italiano. Apesar disso foi ela quem começou a tradição na família. “Eu trouxe isso porque gosto de dançar. Ensaiamos três vezes na semana e todo ano temos roupas novas. É bem legal”, contou.

O grupo das meninas se apresenta até domingo (2) na 14ª Festa da Cultura Italiana. A programação inclui shows, danças, desfile e cantinas com doces e massas produzidos pelas descendentes de italianas que vivem no município. O evento é no Country Clube, na Rua Estevão Domingos Pederassi, nº 83, no Centro. A entrada é gratuita, e a classificação é livre.

(G1 – 01/06/2013)