No dia 12 de junho de 2013 foram comemorados os 155 anos da imigração germânica para Juiz de Fora, cidade situada no Sudeste de Minas Gerais, a 185 km do Rio de Janeiro.
A data está afixada no Marco do Centenário da Imigração Alemã para Juiz de Fora, erigido no Bairro Borboleta, na Praça do Imigrante. Os imigrantes alemães vieram para instalar a Colônia D Pedro II, criada por Mariano Procópio Ferreira Lage.
Através da Companhia União e Indústria, Ferreira Lage construía a estrada de rodagem do mesmo nome, ligando a cidade do Paraibuna (hoje Juiz de Fora) a Petrópolis, a primeira do Brasil. Em 1856, quando do início dos trabalhos de construção, cerca de 150 imigrantes já tinham chegado ao Brasil e todos foram empregados na companhia, com a missão de trabalharem na construção da Estrada. A imigração de 1858 veio para instalar a Colônia, cujo objetivo era a formação de uma colônia agrícola.
Os primeiro imigrantes chegaram em cinco veleiros, cujos detalhes seguem:
Primeiro embarque – Barca Tell – saindo do porto de Hamburgo, no dia 21 de abril de 1858, chegando ao porto do Rio de Janeiro em 25 de maio do mesmo ano, trazendo 236 passageiros e com um total de 34 dias de viagem.
Segundo embarque – Barca Rhein – saindo do porto de Hamburgo, no dia 28 de abril de 1858, chegando ao porto do Rio de Janeiro em 25 de junho de 1858 com 184 passageiros e com um total de 59 dias de viagem.
Terceiro embarque – Barca Gundela – saindo do porto de Hamburgo, no dia 15 de maio de 1858, chegando ao porto do Rio de Janeiro em 26 de julho de 1858, com 287 passageiros e com um total de 70 dias de viagem.
Quarto embarque – Barca Gessner – saindo do porto de Hamburgo, no dia 21 de maio de 1858 e chegando ao porto do Rio de Janeiro em 29 de julho de 1858 com 249 passageiros e com um total de 68 dias de viagem.
Quinto embarque – Barca Osnabruck – saindo do porto de Hamburgo, no dia 05 de junho de 1858 e chegando ao porto do Rio de Janeiro em 04 de agosto de 1858 com 217 passageiros e com um total de 59 dias de viagem.
As informações acima estão contidas no livro “ Os Alemães e o Borboleta” de Vicente Clemente (Clemens), que registra também mais quatro veleiros trazendo imigrantes para a Colônia D Pedro II e que chegaram nos meses seguintes:
1.Barca Caeser – 04 passageiros; 2. Barca Erbpsinz Friedrich August – 07 passageiros; 3. Barca Brigadeiro Antílope – 03 passageiros; 4. Barca Elise – 06 passageiros.
Nossos antepassados vieram de várias regiões a saber: Baden, Bayern, Chemnitz, ChurHessen, Dinamarca, Grão Ducado de Hessen, Hannover, Holstein, Hessen Darmstadt, Lausitz, Mecklenburg, Pomerânia, Prússia, Schleswig, Sachsen, Tirol, Würtemberg.
Este livro tem um capítulo intitulado Correspondências dos Colonos, onde aparece uma Carta Publicada no jornal “Bothe für Tirol und Vorarlberg, de Innsbruck (Tirol do Norte) no dia 23 de dezembro de 1858. A carta foi escrita pelo colono Alois Eiterer, de Miemning, distrito de Imst-Tirol em 01 de novembro de 1858, ele que chegou ao Brasil com 27 anos de idade, juntamente com sua esposa Kreszenz,23 anos no dia 26 de julho de 1858 na Barca Gundela, cujos trechos publicamos a seguir:
” …O navio Gundela transportava 277 passageiros. A comida era boa. Arroz, feijão, alguns dias mesa livre de carnes defumadas, que naturalmente, no princípio é um prazer. De manhã café, à tarde sopa ou chá, mas a água era muito ruim. Nos atormentavam as pulgas e assim também o aumento da temperatura e de repente um frio de 09 graus. O calor era de 29 graus à sombra e o enjôo atingia a quase todos. Eu fiquei enjoada por três semanas e a maioria das crianças de um a doze anos também. …”
“… No dia 25 de julho chegamos ao Porto do Rio de Janeiro. Não pudemos descer na cidade. No dia 27, fomos levados até uma outra parte do Porto. Daí embarcamos em um trem no qual viajamos por meia hora. Logo depois, começamos a caminhada para o interior, durante a qual as mulheres, crianças e bagagens viajaram transportados em carroças e nós homens andando à pé. Subimos ao cimo de uma montanha onde nos foi ofertado uma boa refeição e bebemos um bom vinho . Lá pela tarde, chegamos cantando à cidade de Petrópolis. Ali os imigrantes, que são na maioria alemães, franceses, ingleses e portugueses, nos acolheram com grande amizade. …..”
Chama a atenção do leitor o final da carta, cujo texto é o seguinte:
“… Caro amigo, o aspecto aqui é ainda selvagem, mas, em 03 ou 04 anos estará melhor. A estrada do Rio de Janeiro até aqui já está carroçável, mas os carros, vemos poucos, no mais, são animais de carga.Gente com saúde e trabalhadora podem fazer bons progressos em pouco tempo no Brasil. …”
Num pequeno comentário sobre esta carta podemos perceber uma mensagem de otimismo, apesar das dificuldades encontradas. Pela descrição pode-se notar um bom tratamento dado aos imigrantes. Há também a confirmação do encontro das comunidades de alemães de Juiz de Fora e Petrópolis, que chegaram em 1845. Os jornais da cidade de Petrópolis da época noticiaram encontros entre as duas comunidades. Sobre a viagem de trem citada na carta, esta estrada de ferro foi a primeira inaugurada no Brasil e ligava o Porto de Mauá (onde desceram os colonos) até Fragoso (Vila Inhomirim-Raiz da Serra), no município de Magé-RJ. A inauguração desta estrada aconteceu no dia 30 de abril de 1854, construída pelo Barão de Mauá (Irineu Evangelista de Sousa). Podemos dizer sem medo de errar que esses nossos imigrantes fizeram história neste País.
Instalados na cidade, muitos foram trabalhar nas oficinas da Companhia União e Indústria e, a partir de 1860, foram aos poucos se diversificando em várias atividades, participando ativamente do processo de industrialização de Juiz de Fora. Este processo inicia-se em 1860 com o surgimento da Cervejaria Barbante, que até hoje existe no Bairro São Pedro, várias outras cervejarias foram implantadas na cidade, destaque para o surgimento do primeiro curtume industrial do Brasil, Curtume Krambeck, das fábricas de carroças, da primeira iluminação pública da cidade, fábricas de caramelos, tipografias e outras. Juntando-se a outras etnias nossos antepassados contribuíram de forma essencial para a transformação da cidade no principal parque industrial de Minas na segunda metade do século XIX e primeira metade do século XX.
São esses bravos homens, mulheres e crianças que souberam enfrentar toda a sorte de dificuldades e, vencendo os enormes desafios, souberam fazer história e nos encher de orgulho, que homenageamos neste pequeno texto.
Nilo Sérgio Frank
(Relações Públicas da Associação Cultural e Recreativa Brasil Alemanha de Juiz de Fora)
(Brasil Alemanha – 10/06/2013)
