Em um ranking de 60 países, o Brasil ocupa a 49ª posição em relação à legislação favorável à imigração, atrás de nações como Argentina, Chile, Peru e Hong Kong. Para alcançar a média mundial, o País precisaria ter 10 vezes mais imigrantes. No caso da média latino-americana, o número cairia para 5 vezes mais, e 50 vezes mais para alcançar a média da América do Norte e Oceania.
O dado faz parte de estudo sobre o tema apresentado pelo ministro-chefe interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri, durante o seminário Política Migratória, Produção e Desenvolvimento.
O evento, promovido pela SAE, a Câmara Oficial Espanhola de Comércio e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), foi direcionado a empresários interessados em trazer mão de obra especializada para o Brasil. Entre outros assuntos, os participantes debateram as últimas mudanças da legislação brasileira sobre imigração, como a adequação do marco legal que trata da situação dos estrangeiros ao contexto atual, por meio de duas resoluções publicadas pelo governo: uma que diz respeito à facilitação da emissão de visto de trabalho para estrangeiros, e outra que trata da concessão de visto temporário a estudantes de pós-graduação que queiram trabalhar no País.
“Apenas nos últimos seis meses, a SAE já contribuiu para várias mudanças importantes em resoluções do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), que tornam mais fácil a vida de quem migra para o Brasil, aprimorando normas que não mudavam há muito tempo. Mas ainda precisamos avançar muito mais”, destacou Marcelo Neri.
De acordo com informações levantadas pela SAE, o total de imigrantes no Brasil ainda é considerado pequeno. Para alcançar a média mundial, o País precisaria ter 10 vezes mais imigrantes. No caso da média latino-americana, o número cairia para 5 vezes mais, e 50 vezes mais para alcançar a média da América do Norte e Oceania.
O estudo mostrou, ainda, que o baixo índice de mobilidade de pessoas gera uma baixa mobilidade de conhecimento. Na Austrália, em cada grupo de mil residentes, aproximadamente 7 pessoas estão estudando fora ou são estrangeiros aprimorando o conhecimento no País. No Brasil, esse número cai para 0,1, dentro do mesmo contingente. “O Brasil se vê como um país aberto e acolhedor, mas temos uma das menores proporções de imigrantes na população”, ponderou o ministro.
“Precisamos mobilizar as pessoas e promover uma campanha para atrair talentos”, ressaltou Marcelo Neri. Porém, para receber os trabalhadores estrangeiros, o Brasil precisa se tornar mais atrativo e oferecer mais vantagens profissionais, como mostrou questionário aplicado pela Secretaria a uma série de empresas interessadas em trazer mão de obra qualificada de outros países.
As principais dificuldades enfrentadas pelo estrangeiro que precisa ou tem interesse em trabalhar no País estão relacionadas à falta de padronização dos documentos exigidos, à demora do trâmite burocrático, à dificuldade para o reconhecimento dos diplomas de outros países, à falta de oportunidade de emprego e à pouca estrutura oferecida para os familiares que acompanham o profissional imigrante.
(SAE – 12/06/2013)
