Atualmente, a colônia japonesa representa 8% da população em Mogi das Cruzes, o que significa cerca de 30 mil descendentes de imigrantes, que comemoram hoje os 105 anos da chegada dos primeiros japoneses ao Brasil.
A Associação Cultural de Mogi das Cruzes (Bunkyo) possui hoje 550 famílias associadas. Entre os marcos que reverenciam os imigrantes na Cidade estão o Casarão do Chá, importante herança da arquitetura japonesa no Brasil, com construção datada 1942, no Cocuera; o Parque Centenário da Imigração Japonesa, entregue em 2008, e que até fevereiro deste ano tinha uma réplica do Kasato Maru; e a Praça do Imigrante Japonês, inaugurado em setembro de 1969, que abriga o monumento ao Imigrante Japonês, uma obra do artista Antônio Josephus Maria Van de Wiel. A Cidade tem, também, 25 escolas voltadas para o ensino da língua japonesa e bairros que concentram famílias nipônicas, como Cocuera, o mais tradicional; Biritiba Ussu, Pindorama, Vila Moraes, Itapeti, Porteira Preta e Rio Acima.
O diretor do Bunkyo Kiyoji Nakayama, de 67 anos, que esteve à frente da entidade por oito anos, ressalta que Mogi não teve imigrantes que se estabeleceram por aqui logo de imediato. “Eles tiveram como destino a região noroeste e sudoeste do Estado. E após o término de seus contratos com os fazendeiros foram se deslocando até chegarem a Mogi, atraídos pelo clima ameno e saudável, e onde não havia doenças assustadoras. Sem falar que a logística de plantações na agricultura era mais fácil”. A maioria dos imigrantes não tinha experiência agrícola. “Não foram agricultores que vieram para cá, mas sim trabalhadores, que deixaram o seu país devido à crise econômica”.
O começo foi um período difícil. A língua diferente, os costumes, a religião, o clima e a alimentação se tornaram barreiras à integração. A língua portuguesa, afirma Nakayama, foi um dos grandes empecilhos, pelo menos em Mogi. Mas a maioria conseguia se comunicar de alguma maneira.
Com o desenvolvimento econômico do Brasil, dos anos 1950 aos anos 1980, a comunidade começa a se integrar à sociedade brasileira por força dos filhos que foram estudar em escolas urbanas, além da eleição de vereadores apoiados pela colônia e a chegada de indústrias japonesas, como a NGK. “Costumo dizer que temos sempre muito a aprender e os japoneses são mestres em ensinamento quando o assunto é trabalho e a preservação de raízes e tradições. Eles foram fundamentais para transformar o Alto Tietê numa das principais regiões industriais do Estado de São Paulo”, ressalta Werner Stripecke, diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê.
A exemplo do que acontece na agricultura, os japoneses se destacam no comércio. Segundo a comerciante e empresária do ramo de confecção, Tânia Fukusen Varjão, presidente da Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC), não é possível avaliar quantos permanecem na atividade comercial hoje, com destaque para os segmentos de roupas e alimentos. “O Mercado Municipal é um dos maiores exemplos dessa vocação dos japoneses para o comércio”.
A Cidade também constatou o retorno de muitos decasséguis que, depois de trabalhar e juntar um dinheiro no Japão, voltaram e aplicaram o que ganharam em negócios próprios, a maioria, estabelecimentos comerciais, como lanchonetes, papelarias e pequenas lojas. “Os japoneses têm, ainda, uma característica muito peculiar que é investir e contribuir para a economia dos locais que os acolheram. Isso ajuda a explicar a permanência dos descendentes em Mogi das Cruzes e a presença tão forte deles nas atividades econômicas”.
Maria Salas
(O Diário – 18/06/2013)
