Separada pela guerra, a família voltou a se reencontrar 10 meses depois.

Uma família de refugiados da guerra civil na Síria foi acolhida por uma mesquita em Barretos, no interior de São Paulo.

Cinco orações por dia e um sentimento: o de gratidão pela paz que só veio agora bem longe de casa. Em uma das principais mesquitas do país, em Barretos, interior de São Paulo, o sheik Mohaned Russen tenta reconstruir a vida com a mulher e os dois filhos.

O sheik Mohamed Hossein veio visitar o Brasil em agosto de 2011. Logo depois começaram os conflitos na Síria e ele não conseguiu retornar mais porque os vôos tinham sido cancelados. Em Damasco ficaram a mulher e os dois filhos de 4 e 3 anos de idade. Começava então no Brasil um esforço diplomático para trazer a família de lá, em meio a guerra civil.

Com os telefones na Síria cortados, o sheik procurou conhecidos em cidades distantes dos combates. Ele ficou horas e horas na frente do computador. Depois de nove meses de buscas, a família foi encontrada e veio o período mais dramático: a travessia de 30 dias entre Aleppo, na Síria até o embarque para o Brasil no país vizinho, o Líbano.

A mulher conta que ficou todo esse tempo sem tomar banho, com frio e com fome.

Em maio de 2013, em Barretos, eles foram acolhidos pelos muçulmanos brasileiros. O desafio agora é cuidar das duas crianças, que ficaram traumatizadas com a guerra.

“Basta eles escutarem alguma explosão de um rojão qualquer que eles entram em pânico, começam a chorar e correm para os pais perguntando o que está acontecendo. Eles relembram os episódios que eles presenciaram na Síria”, afirma o vice-presidente da mesquita, Girrad Smir.

Depois de todo esse sofrimento, uma alegria: a família vai ficar maior. A mulher, Nisrin, esta grávida de quase três meses. O Sheik, que é um líder religioso no islamismo, tem muita esperança que o brasileirinho conheça a paz que ele tanto sonhou para o seu país, a Síria.

(G1 – 01/11/2013)