O Brasil se tornou um destino cobiçado por muitos haitianos. Um recente relatório consular estima a 20.000 o número de imigrantes haitianos no Brasil, dos quais 12.204 estariam em situação irregular.
Segundo Le Nouvelliste, tradicional jornal de Port-au-Prince, em três anos, cerca de 20.000 haitianos teriam imigrado para o Brasil. A maioria dentre eles chega ao país de modo irregular e, deste total, 12.204 indivíduos ainda estariam em situação irregular.
Tobias Metzner, responsável pelo Programa de luta contra o tráfico de pessoas da Organização Internacional para as Migrações (OIM), avalia que os candidatos à imigração pagam entre 2.500 e 5.000 $USA aos atravessadores para chegar até Brasileia, na fronteira com a Bolívia.
Ele destacou, por outro lado, que as redes responsáveis pela organização da viagem fornecem, aos imigrantes, comida, abrigo e documentos de viagem. “Uma vez, em Brasileia, os imigrantes são recebidos por pastores que os abrigam em suas próprias casas, uma igrejas ou em tendas afastadas de toda infraestrutura.
O funcionário da OIM revela, ainda, que os imigrantes sofrem de muitas dificuldades e não conseguem se integrar à sociedade brasileira. Os baixos salários e alto custo de vida no Brasil tornam a sua situação mais vulnerável, impossibilitando toda poupança ou ajuda aos familiares no Haiti. Segundo ele, 80% desses imigrantes são evangélicos, de sexo masculino e baixo nível de instrução.
O Brasil, na análise de Tobias Metzner, estaria desenvolvendo uma política migratória muito diferente dos países da Europa ou América. “Brasil não pratica a deportação. As autoridades se dispõem sempre a enquadrar os imigrantes. Mas o Estado brasileiro não aceita que os imigrantes continuem chagando ilegalmente ao país. Se a situação persistir, as autoridades brasileiras vão ser obrigadas a adotar medidas mais repressivas.
Os haitianos, que buscam no exílio melhores condições de vida, empreendem uma longa viagem até chegar ao Brasil. Primeiro, a viagem aérea para Panamá e, em seguida, a Quito. Depois, a parte terrestre, de ônibus até Bolívia ou Peru. Enfim, o último trecho até o Acre. Estado que declarou, recentemente situação de emergência social e pediu ajuda do Governo federal enfrentar os imigrantes que chegam, não somente de Haiti, mas também de África e Ásia.
Em abril, o governo brasileiro anunciou que iria regularizar a situação dos imigrantes haitianos. De acordo com as últimas informações disponíveis, o governo brasileiro teria emitido um total de 10.165 vistos humanitários, em resposta à difícil situação no Haiti desde janeiro de 2010.
Durante a 149ª. sessão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH ), realizada em Washington, Camila Asanu – representante da ONG ‘Conectas Direitos Humanos’ explicou que cinqüenta haitianos indocumentados chegam Brasil a cada dia através de canais irregulares, principalmente ao longo da fronteira com o Peru e Bolívia.
Ela ressaltou que essas pessoas são vítimas de redes de tráfico. Para conter o contrabando, pediu a CIDH realizar um estudo sobre os relatos de violações dos direitos humanos no percurso para o Brasil e de entrar em contato com os países da região para combater o tráfico. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) planeja publicar, em dezembro, um estudo sobre a imigração haitiana para o Brasil, no afã de subsidiar as autoridades haitianas e brasileiras na sua busca de soluções à imigração ilegal de haitianos para o território brasileiro.
Joubert Rochefort
(Le Nouvelliste – 13/11/2013)
