Pesquisa mostra que executivos deixam de investir no Interior do Estado de São Paulo porque a comunicação é falha.

A dificuldade para obter documentos e a ausência de atendimento em inglês atrapalham o dia a dia da maioria dos executivos estrangeiros que vivem em Campinas, segundo pesquisa divulgada pela PwC Brasil. Travados na burocracia ou na incompreensão, muitas vezes homens de negócios fazem menos investimentos na região.

A PwC entrevistou mais de 300 estrangeiros de 13 países diferentes que residem no Brasil há pelo menos um ano, em Campinas, Ribeirão Preto, Sorocaba e São José dos Campos. Do total, 76% disseram não ter recebido assistência em sua língua ou no inglês em estabelecimentos comerciais, e 39% reclamou do prazo para receber documentos.

“São fatores preocupantes apontados pela pesquisa. Precisamos melhorar nossa capacitação na comunicação, isso é essencial.”, aponta Edmar Perfetto sócio da PwC Brasil. “Embora nos últimos anos tenha havido avanços para a simplificação dos processos, a lei que regula a permanência de estrangeiros no Brasil precisa ser atualizada para a realidade das relações de negócios do país.”

CAPACITAÇÃO/ Com objetivo de capacitar trabalhadores de Campinas para receber estrangeiros, o Ceprocamp (Centro de Educação Profissional de Campinas) tem ampliado a oferta de cursos de inglês básico. Mais de 20 turmas foram formadas neste ano no Aeroporto Internacional de Viracopos, com funcionários de todas as áreas.

A agente de vendas da TAM Débora Rodrigues, 31, faz o curso desde setembro e diz que apesar de já conhecer o inglês, prefere se capacitar mais. “Eu precisava de prática voltada para minha área”, disse.

Cotidiano problemático

O alemão Marno Teusser, que chegou ao Brasil há cinco meses para trabalhar na PwC em Campinas diz que se sente inseguro no dia a dia por falta de informações. “Eu queria alugar um carro, mas preciso de comprovante de residência; na Alemanha o contrato de aluguel já basta, aqui preciso fazer outros documentos para conseguir um documento”, relata.

Segundo ele, que ainda não tem a documentação oficial para ficar no país, atividades simples como ir à padaria podem gerar problemas e “travar” o dia a dia pela dificuldade de comunicação. “Tenho amigos na Alemanha que esperam há meses a autorização para vir trabalhar e alguns não entendem o porquê. Eu recomendo que venham, mas que estudem português”, conta.

Pesquisa mapeia estrangeiros em SP

A maioria dos executivos da pesquisa chegou ao país entre 2009 e 2012. Entre eles, apenas 55% pretendem ficar entre um e cinco anos no País e 18% não têm previsão.
300 executivos responderam

A sondagem mostra que  73% dos entrevistados encararam a oportunidade de vir ao Brasil como desafio e crescimento profissional e 48% vieram por determinação da empresa.

Embora quase a totalidade dos respondentes (91%) considere sua cidade atual um bom lugar para morar, destacando a localização, também apontam problemas em serviços e infraestrutura.

Chama a atenção as respostas sobre falta de segurança (27%) e de transporte público eficiente (21%).

Marília Rocha

(Diário de SP – 20/11/2013)