Ucranianos, checos, alemães e irlandeses, contratados para obra do Beira-Rio, teriam ingressado no Brasil de forma irregular.

A partir de uma denúncia, a delegacia regional do Ministério do Trabalho e a Polícia Federal identificaram 63 alpinistas estrangeiros trabalhando de forma irregular na instalação da membrana do Beira-Rio. Os ucranianos, checos, alemães e irlandeses, contratados pela empresa Sepa Hightex, ingressaram no Brasil com irregularidades nos vistos.

Segundo o superintendente regional do ministério, Flávio Zacher, uma multa já foi aplicada aos executores da obra e, agora, a investigação prossegue para saber se houve erro formal no preenchimento das requisições de vistos ou não.

— Esses 63 trabalhadores estrangeiros estavam trabalhando sem carteira assinada e com vistos irregulares. Em vez de os vistos deles terem sido solicitados como “processo de execução”, foram pedidos como “assistência técnica. Vamos buscar saber ainda se houve má-fé ou apenas um erro formal — disse Zacher.

Conforme o superintendente, o processo de regularização dos vistos e das carteiras de trabalho dos estrangeiros já se iniciou. No momento, eles não correm risco de deportação. Porém, só poderão retomar a instalação da membrana depois de regularizados. A obra não foi interditada, mas as membranas só poderão seguir sendo instaladas por aqueles alpinistas que estejam conforme as exigências do Ministério do Trabalho.

— O grave de tudo isso é que essas pessoas corriam sérios riscos. Trabalham de forma irregular, pendurados a 40 metros de altura. Estamos às vésperas da Copa e já tivemos mortes de operários nas obras dos estádios de Manaus e de São Paulo — concluiu Flávio Zacher.

Não há nem irlandeses nem checos

Procurados por ZH, o presidente da Comissão de Obras do Inter, Maxi Carlomagno, e o engenheiro-chefe da Andrade Gutierrez nas obras do Beira-Rio, Lúcio Matteucci, afirmaram desconhecer a ação. Os dois confirmaram que há funcionários oriundos da Ucrânia e da Alemanha trabalhando na instalação das membranas do estádio colorado, mas negam que estejam irregulares.

— Desconheço essa informação. Todos os nossos trabalhadores estão regulares. E são apenas alemães e ucranianos. Não temos irlandeses, nem checos. Temos 40 alpinistas da Ucrânia e outros oito da Alemanha — afirmou Matteucci.

— A Sepa Hightex é a empresa terceirizada, responsável por recrutar esses trabalhadores. Não tenho informação que haja alguma irregularidade — completou.

Zero Hora entrou em contato com o engenheiro responsável pela Sepa Hightex, Nelson Fiedler, que disse não poder se manifestar no momento.

— Não posso falar nada agora, estou pagando os meus funcionários — respondeu Fiedler, antes de encerrar a ligação.

(Zero Hora – 20/12/2013)