Viver no Brasil é bom, mas o transporte e a saúde não são.

Um país bom para se viver, com povo sorridente, porém com uma burocracia que supera a capacidade de compreensão, e os serviços de saúde e transporte públicos muito ruins. Esse é o retrato do Brasil feito por executivos estrangeiros ouvidos pela consultoria PwC, numa sondagem com funcionários de multinacionais que estão no país há pelo menos um ano. A maioria (64%) chegou ao Brasil entre 2009 e 2012 e vive aqui a primeira experiência de residir fora de sua pátria.

“Os pontos negativos apontados por eles não chegam a surpreender, mas alguns dos destaques positivos impressionaram. A maioria aprova a região onde mora, elogia as moradias, acha o sistema de educação bom e se surpreendeu com a disponibilidade de profissionais para fazer serviços domésticos”, diz o sócio da PwC Augusto Assunção. Ele destaca ainda que a maior parte dos estrangeiros veio ao Brasil por vontade própria e já tinha algum conhecimento sobre o país.

É o caso do espanhol Carlos Tarrasón, que aportou no Brasil há dez anos, depois de concluir um mestrado em economia brasileira nos Estados Unidos. “Eu sempre gostei da cultura latino-americana e acredito que o Brasil é o país que tem mais potencial para crescer e se transformar”, conta.

Ele morou em Brasília, onde trabalhou no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e depois veio para Belo Horizonte, onde é diretor da Cluster Consulting. O espanhol lembra que descobriu os problemas do Brasil aos poucos. “No começo, eu achava tudo ótimo”, diz.

Passado o deslumbramento inicial, ele descobriu os problemas com os quais os brasileiros já estão acostumados. “Vocês pagam muitos impostos, quase como a Suíça, e recebem muito pouco em troca. A saúde pública também não atende como deveria. Vocês aceitam, mas não teria que ser assim”, diz.

Tarrasón também reclama da burocracia “pesada”. “Aprendi que no Brasil precisa-se de motoboy e despachante para tudo”, diz. Por outro lado, ele continua encantado com o povo e a cultura, mas reclama da falta de opções de lazer. “Mas se procurar, encontro coisas legais”, ressalva.

Ele não está sozinho. Segundo a pesquisa da PwC, a carência de opções turísticas e culturais, de praças e jardins para passear com a família e de informações em inglês ou no seu idioma nativo estão entre as queixas dos estrangeiros.

Ana Paula Pedrosa

(O Tempo – 04/01/2014)