O jornal econômico francês ‘Les Echos’ aponta as vantagens e dificuldades para trabalhar no país.

O Brasil, como chegaram a anunciar os nossos ufanistas de serviço, teria se transformado em um eldorado para os trabalhadores estrangeiros? Resposta: não, o Brasil é um país de oportunidades na carreira, mas não é um eldorado. Longe disso. Em uma reportagem de página inteira, o diário econômico-financeiro francês Les Echos afirmava dias atrás que o mercado de trabalho no Brasil é promissor, mas diz que o acesso para um estrangeiro é difícil. E entre as dificuldades, está o excesso de burocracia. Citado pelos Echos, o diretor de recursos humanos da rede hoteleira Accor, afirma que há muitos candidatos franceses para cargos no Brasil, mas que é preciso muita paciência para superar as dificuldades.

Primeiro, é preciso provar que a empresa precisa realmente do profissional estrangeiro. O que nem sempre é fácil. Segundo, os trâmites administrativos no Brasil são verdadeiros empecilhos, é uma corrida de obstáculos. No artigo, o advogado franco-brasileiro Charles-Henry Chenut, critica o pouco caso das administrações públicas. “Com frequência, ninguém responde às nossas perguntas…. é preciso tempo e dinheiro, além do famoso” QI”, que nada tem a ver com o coeficiente de inteligência. QI significa ” Quem indica “. Ou seja, é preciso ter os contatos certos para conseguir resolver esses problemas burocráticos. É o famoso jeitinho brasileiro…. Para os obstinados que conseguem superar todos os entraves, o jornal aponta os setores mais dinâmicos para os profissionais estrangeiros: tecnologia da informação, engenharia e turismo.

Outra boa notícia para os franceses é a progressão salarial no Brasil, bem mais rápida que na França. E os bônus são também bem mais atraentes. Entusiasta do Brasil, o presidente da filial da Nissan no país, François Dossa, traça um paralelo entre o mercado de trabalho e o Carnaval. “Isso me ajudou a entender o Brasil. A bateria, o ritmo, tudo isso está nos genes do Brasil”. “Há uma energia incrível para mudanças. Nada a ver com a França”, onde o elevador social está bloqueado. Diagnóstico assinado François Dossa, o francês que trabalha em ritmo de bateria de escola de samba.

Milton Blay

(Por Dentro da Mídia – 11/01/2014)