Expectativa é de que prefeito Haddad assine decreto incorporando celebração ao calendário oficial.
Para quem tem curiosidade de saber mais sobre a Bolívia é bom estar em São Paulo na próxima sexta-feira (24). Na ocasião será celebrada a festa Alasita em três endereços da cidade: Memorial da América Latina, no Jardim Brasil e no Parque Dom Pedro II, com venda de artesanato, música e comida boliviana.
Alasita é uma tradicional feira artesanal de La Paz, Bolívia, comemorada no dia 24 de janeiro, cuja característica é a aquisição de miniaturas abençoadas por yatiris (sacerdotes andinos) com a finalidade de que as mesmas, durante o ano, se convertam em realidade graças ao Deus da Abundância, o El Ekeko. Bolivianos formam hoje a maior colônia de imigrantes em São Paulo.
“Vende miniaturas de casas, diplomas, carros. E, ao meio-dia em ponto, acontece o ritual”, explica Luis Vasquez, presidente da associação comercial da Rua Coimbra, que organiza a festa do Parque Dom Pedro II, a única que terá apoio formal da prefeitura que irá ceder o espaço, montar o palco e oferecer banheiros químicos.
A expectativa é que o prefeito Fernando Haddad (PT) participe do evento e lá assine decreto que inclua a Alasita no calendário oficial da cidade. “Seria uma forma de reconhecer uma manifestação cultural que já acontece há 15 anos anos na cidade e dar visibilidade para a presença boliviana na cidade”, acredita Cleyton Borges, membro do Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante.
Criar e implementar a Política Municipal para Migrantes e de Combate à Xenofobia, promovendo uma cultura de cidadania e valorização da diversidade e reduzindo as manifestações de discriminação de todas as naturezas, é um dos compromissos da prefeitura previstos no Programa de Metas para os próximos anos de gestão Haddad.
A discussão para que o evento seja oficializado tomou força a partir de 2012, quando a associação de comerciantes da rua Rua Coimbra, no Brás, tentou realizar a festa no logradouro, onde há uma grande concentração de casas e comércios de bolivianos. Cerca de 30 mil pessoas se amontoaram na rua, que tem cerca de 300 metros, causando problemas ao trânsito da região. Com a atuação da Guarda Civil Metropolitana, além de terem prejuízos econômicos, alguns comerciantes foram agredidos.
A inclusão no calendário abre brecha para que o apoio da municipalidade se torne permanente e problemas como esse não voltem a ocorrer. “Nossa participação é no sentido de aumentar cada vez mais a profissionalização da festa para que as pessoas se sintam a vontade para ir”, explica o coordenador de Políticas para Imigrantes da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, Paulo Illes.
Para ele, a oficialização da festa é um caminho para a valorização da cultura boliviana e a apresentação dela, até agora frequentada principalmente pela comunidade de imigrantes, para todos os que vivem em São Paulo. “A partir do momento que incluir no calendário, essa cultura passa a ser patrimônio da cidade”, afirma.
Em 2014, a escolha do Parque Dom Pedro II reflete o compromisso da prefeitura de valorizar as expressões culturais dos povos imigrantes.
Na edição de 2013 os organizadores e Poder Público, concordaram que para garantir o sucesso do evento era necessário desloca-lo da Rua Coimbra. A importância da tradicional Feira de Alasita será reconhecida pela sua inserção no Calendário Festivo da Cidade. E a sua realização no Parque Dom Pedro II também reflete a revitalização da região, como espaço de e para a cidadania, através das tradições, arte, cultura e gastronomia de diferentes povos.
Os organizadores esperam repetir a enorme presença de pessoas, já que em 2013 a Feira de Alasita foi realizada pela primeira vez com apoio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania/SMDHC e da Subprefeitura da Mooca
Ano passado a Feira reuniu cerca de 30 mil pessoas na Rua José de Alencar, a duas quadras da Rua Coimbra, bairro do Brás, local conhecido pela enorme concentração de imigrantes bolivianos, sendo prestigiada com a visita do Secretário Municipal Rogério Sottili e do Subprefeito interino da Mooca Acássio Pelaquin.
Da proibição à valorização
A Feira de Alasita acontece em São Paulo desde 1999. Na Rua Coimbra, a festa é realizada desde 2003, sendo que nas edições durante a gestão anterior foi negada as autorizações formais e reprimida.
Em 2012 a Alasita ocorreu em clima de perseguição por parte de agentes da subprefeitura, Guarda Municipal e violência contra os participantes.
Após muitos diálogos, a ASSEMPBOL – Associação de Empreendedores Bolivianos da Rua Coimbra e a Gestão Municipal (SMDHC, Coordenação de Políticas para Migrantes e Subprefeituras), decidiu-se passar a Feira de Alasita para um local mais amplo como é o Parque Dom Pedro. Além da região central, outros bairros também realizarão a feira, como é o caso de Jardim Brasil, na Zona Norte, e Barra Funda (Memorial da América Latina), na Zona Oeste.
Motivos pelos quais é aguardada com muita expectativa por parte dos imigrantes a presença de Fernando Haddad na Feira de Alasita no Parque Dom Pedro II, uma vez que a Prefeitura incluiu em seu plano de metas a regularização de feiras de imigrantes e deve anunciar nos próximos dias um Decreto de regulamentação e inclusão no calendário oficial de eventos culturais da cidade.
Além da inclusão da Feira de Alasita no calendário festivo da Cidade, feirantes aguardam a conclusão do projeto de regularização da Rua Coimbra como feira permanente e que funcionará com autorização aos finais de semanas.
O evento contará com várias atrações artísticas, gastronomia típica e venda de produtos miniaturas da vasta cultura boliviana.
Serviço
Local: Parque Dom Pedro II – próximo ao Terminal e estação de metrô Pedro II.
Horário: Inicio 8:00hs às 20:00hs
Gisele Brito
(editado)
(Rede Brasil Atual – 22/01/2014)
