A DIÁSPORA BARBADIANA E O LEGADO EDUCACIONAL EM PORTO VELHO

A diáspora barbadiana e o legado educacional em Porto Velho

Esta dissertação, em princípio, propõe o estudo do legado barbadiano na área educacional da cidade de Porto Velho. Para isso foi necessário fazer uma reconstituição histórica da construção do espaço amazônico, bem como a formação do estado de Rondônia e de Porto Velho. O objetivo da presente dissertação é também investigar como se deu o relacionamento entre nativos portovelhenses e barbadianos, visto que a influência cultural adquirida pelos afro-caribenhos era uma influência eurocêntrica causando assim estranhamento aos moradores da região amazônica.
Essa dissertação nasceu do interesse antigo de conhecer mais sobre o povo barbadiano e principalmente como influenciaram a cultura em Porto Velho. O estudo se justifica pela necessidade contínua de analisar o modo como a sociedade, em suas várias modalidades, pensa, se organiza e é transformada e alterada de tempos em tempos por acontecimentos históricos.
A chegada dos afro-caribenhos, chamados pela população local de barbadianos, ao lugar que hoje se intitula Porto Velho foi um acontecimento que causou grandes mudanças à cultura local, suscitando também questionamentos de ordem política e social visto que o fato de serem negros e letrados gerou uma série de preconceitos. Eles foram enviados para o vale do Madeira e do Mamoré para trabalharem na construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré.
Percebi que os barbadianos influenciaram de forma incisiva o desenvolvimento cultural de Porto Velho, definido aqui como escolarização, pois trouxeram consigo uma bagagem educacional diferenciada e mantiveram essa bagagem repassando-a a seus filhos através de ensino sistemático organizado em forma de escola. Esse ensino sistemático criado pelos barbadianos alavancou o surgimento de escolas públicas que não existiam ainda em Porto Velho, trazendo assim desenvolvimento educacional para a cidade.
O fato de serem oriundos de colônias britânicas deu-lhes notoriedade em relação aos trabalhadores de outras nacionalidades que estavam nas obras da ferrovia. Ao se fincarem na região já alfabetizados e com formação profissional, ficou óbvio que havia uma grande diferença em relação ao restante do grupo de trabalhadores negros nacionais, caracterizando-se como um grupo considerado superior. Percebemos aqui uma nítida relação com o que Gramsci (1978) classificou como hegemonia quando certas formas culturais predominam sobre outras, assim como certos comportamentos são considerados superiores que outros, formando uma liderança cultural.
Essa diferenciação ajudou-lhes bastante e os colocou em situação privilegiada frente aos demais trabalhadores vindos de outros países para a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré que doravante será identificada pela sigla E.F.M.M. Esse acontecimento foi entendido pelo grupo como vantajoso, pois nessa época os negros eram tidos como inferiores no nosso país. Os barbadianos estavam à frente neste contexto, eram letrados, tinham profissão industrial e urbana.
Eles aproveitaram a seu favor as diferenças utilizando-as de maneira positiva e, mesmo passando por pressões das políticas racistas da época tornaram-se essenciais para a formação da sociedade regional, trazendo à cidade de Porto Velho trabalhadores especializados em construções de linhas férreas. Tempos depois seus descendentes se tornaram profissionais influentes em Porto Velho como médicos, enfermeiros, professores, pastores e
bibliotecários. Atuaram como tradutores e intérpretes e, de forma discreta, marcaram principalmente a cultura e o povoamento da região.
Para desenvolver o trabalho fiz a opção pelo processo analítico que buscou fontes e referências para aprofundamentos no estudo das contribuições barbadianas para o cenário cultural e educacional de Porto Velho. Priorizei a pesquisa bibliográfica e utilizei o método de análise teórica de cunho comparatista na qual cruzei leituras e dados históricos no intuito de fazer as análises.

Elisangela Lima de Carvalho Schuindt

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