ANÁLISE DISCURSIVA DA POLÍTICA DE IMIGRAÇÃO BRASILEIRA

Discurso e Poder na Política de Imigração Brasileira

A relação entre o discurso e o poder na política de imigração brasileira é complexa, pois se trata de várias redes interligadas. Existe a esfera pública dos representantes de imigração do Estado e, ao mesmo tempo, existem os mundos de imigrantes. Nesse sentido, o discurso da imigração pertence à prática institucional e também ao mundo pessoal do(a) imigrante. Portanto, há percepções distintas da imigração. Essas percepções pressupõem relações e redes de poder, naturalizadas e construídas no discurso da imigração.

Desse modo, nesta pesquisa procurou-se examinar a política de imigração brasileira em relação ao discurso e o poder. Com base em Fairclough (1999; 2003) e Wodak et al (1999), a pesquisa examinou como os elementos lingüísticos tais como nominalizações, escolhas pronominais, e processos que contribuem para construir pressupostos no discurso da imigração. Esses pressupostos servem para constituir argumentos que fortalecem a hegemonia do Estado em que o(a) imigrante é construído ora como ameaça à segurança nacional, ora como ameaça à mão-de-obra brasileira.

Ao mesmo tempo, existe uma discriminação marcante na representação e na avaliação de imigrantes, pois os(as) imigrantes com investimentos altos ou com conhecimento técnico especializado são bem-vindos enquanto os(as) imigrantes em desvantagem social são desvalorizados, tidos como despreocupados com a sua situação legal no país. A pesquisa comprovou também mediante a etnografia que existe uma distância entre o discurso da imigração do Estado e os relatos e as experiências de imigrantes, em que está embutido um pressuposto principal: a busca de uma vida melhor e um interesse em legalizar-se no país. Notou-se ainda que entre os(as) imigrantes existem diversas redes, que marcam ora solidariedade, ora relações de exploração. Além disso, tornou-se aparente que o(a) imigrante não se enquadra necessariamente nas representações e nas avaliações estereotipadas do Estado. Entre os(as) imigrantes, foi possível observar que fazem uma distinção entre o Estado como representação de trâmites burocráticos e o país como espaço acolhedor. Concluiu-se que o discurso e o poder remetem a hierarquias de contextos e relações em que múltiplas verdades são construídas no tocante à imigração.

Rachael Anneliese Radhay

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