COMUNICAÇÃO CONTRA-HEGEMÔNICA DOS INTELECTUAIS ÁRABES-BRASILEIROS

O MAHJAR É AQUI: a comunicação contra-hegemônica dos intelectuais árabe-brasileiros

Objetivamos analisar, a partir da ótica das ciências da comunicação, a construção da identidade árabe-brasileira, através da trajetória da comunidade sírio-libanesa no Brasil, suas formas de representação e, principalmente, auto-representação. A atenção especial é voltada para aquilo que chamamos de comunicação intelectual contra-hegemônica desses imigrantes no mahjar, que na língua árabe significa estado de migração, exílio. No entanto, esta definição não é estática pois, à medida que esses imigrantes decidem permanecer no Brasil, a própria concepção de mahjar se modifica, é reinventada, ressignificada.

Ao atentarmos para trajetória da literatura árabe e para o Renascimento Árabe moderno – al-Nahda – observamos com surpresa e fascínio que seus momentos mais decisivos na diáspora desdobram-se na América Latina, mais precisamente no Brasil, na primeira metade do século XX. Um dos principais grupos no país que integra esse movimento é a Liga Andaluza de Letras Árabes, composta por escritores e poetas sírio-libaneses, com intensa produção entre as décadas de 1930 e 1950. No entanto, ao aportarem nas novas terras, os árabes depararam-se com um universo cultural no qual já circulavam algumas representações sobre quem eles eram e qual seria o lugar possível na sociedade brasileira, repleto de estereótipos e estigmas que se modificaram ao longo dos anos. Logo, através da mídia impressa e da literatura, esses imigrantes encontraram um meio de desconstruir essas imagens estigmatizadas, de diferentes maneiras, algo que se faz presente até hoje.

Guilherme Oliveira Curi

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