HAITIANOS ENTRE SONHO E INSERÇÃO

REVE DE BREZIL: A INSERÇÃO DE UM GRUPO DE HAITIANOS EM SANTO ANDRÉ.

O fluxo migratório de haitianos para o Brasil teve início após o terremoto que destruiu Porto Príncipe, capital do Haiti, e arredores em 2010. Em pouco tempo a cidade de São Paulo passou a figurar como destino de parte considerável dos imigrantes que entravam no Brasil através das fronteiras amazônicas. A Missão Paz, entidade mantida pelos missionários scalabrinianos na região central de São Paulo, passou a abrigar os imigrantes desde então. O entorno desta tornou-se um local de referência para os haitianos em São Paulo. Nesta região vivem muitos imigrantes e trabalham outros tantos, sendo possível notar o surgimento de comércios co-étnicos empreendidos por imigrantes haitianos. O alto custo de vida leva parte dos imigrantes a buscar locais alternativos à região central de São Paulo, como bairros afastados e cidades da região metropolitana, como Santo André, município onde a presente pesquisa foi desenvolvida. Além do custo do aluguel mais baixo, fatores como facilidade de locação dos imóveis e meios de locomoção, são levados em consideração pelos imigrantes, sendo possível observar que as comunidades estão se formando em regiões próximas às estações de trens. Na região do Grande ABC a comunidade haitiana mais representativa localiza-se no Núcleo Ciganos, próximo à estação Utinga da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. O trabalho de campo realizado nesta comunidade nos levou à percepção de fenômenos comuns a diversos fluxos migratórios, bem como a apreensão de signos particulares dos haitianos evangélicos, grupo o qual nos inserimos. As redes de contato entre os haitianos estão em constante expansão, consolidando rotas migratórias diversas. Já é possível observar imigrantes que partem do Haiti diretamente para Santo André, o que não existia há até pouco tempo atrás. Reve de Brezil, em crioulo haitiano, alude ao “Sonho Brasileiro” dos haitianos; sonho este repleto de fantasias que se desfazem com a realidade cotidiana dos imigrantes que aqui chegam. Palavras chave: Imigração haitiana, redes migratórias (test)

Adriano Araujo

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