17°EDIÇÃO DA FESTA DO IMIGRANTE EM SP

A imigração no Brasil teve início na segunda metade do século XIX. Em sua última década, já haviam chegado ao país cerca de 3,8 milhões de imigrantes, oriundos principalmente de Portugal, Itália e Espanha. Depois chegaram japoneses, alemães, austríacos, etc.. Com a ajuda do governo que subsidiava a vinda de diversas famílias, eles vinham com o intuito de trabalhar nas grandes lavouras cafeeiras.

Desembarcavam no Porto de Santos e iam em direção à capital paulista, onde lhes era oferecido abrigo na Hospedaria do Imigrante até que os seus contratos de trabalho fossem regularizados. Em 1900, a população imigrante já representava 20% da população de São Paulo.

Esse número expressivo de imigrantes das mais diferentes nacionalidades e etnias trouxe para São Paulo seus costumes e sua cultura que hoje já fazem parte do imaginário popular local. Seu processo de adaptação deixou marcas que são vistas na fala, na produção cultural, na culinária e nos hábitos dos paulistas.

Para celebrar essa diversidade e as tradições dessas inúmeras comunidades imigrantes, a Secretaria de Estado da Cultura, por meio do Museu da Imigração do Estado de São Paulo, promoveu dos dias 27 de maio a 03 de junho a 17° Festa do Imigrante, no complexo onde funcionava a Hospedaria do Imigrante, no bairro da Mooca.

A festa que já acontece há 16 anos obteve destaque na gastronomia. Em cada um dos 55 expositores, que representavam 35 nações, havia pratos exóticos que contavam um pouco da história do país.
Desde linguiça, batata e chucrute servidos por senhores inegavelmente alemães, com suas bochechas rosadas e trajes alegóricos. Até o Pepino Azedo, nome não tão apetitoso para a delícia que é o prato, encontrado na barraca russa. Outro ponto de destaque no estande russo é a Zubrovka, bebida feita com Vodka e erva Zubrov curtida. Não tão gelada como deveria, reclamaram os degustadores.

Contudo, esse não foi o único descuido da ala gastronômica. Após todos os elogios que os expositores mereciam pela sua comida e as apresentações da Culinária Show, em que chefes renomados de São Paulo preparavam pratos da cozinha internacional, estava a barraca do Japão. Na barraca japonesa, lia-se em letras vermelhas e garrafais: Yakissoba. Um mal- entendido cometido pela maioria das pessoas, mas que não deveria acontecer em um evento onde o objetivo é apresentar aquilo que é oriundo do seu país. O prato, apesar de ser comum no país, tem origem na China.

Depois de ampliar seus conhecimentos gastronômicos, os visitantes podiam assistir às apresentações de danças típicas grega, italiana, croata, chilena… Ver o coral Vahakn Minassian da Armênia, ou ainda aprender bordado indiano.

Outra atração foi o Cine Imigrante, um espaço sob a curadoria da Cinemateca Brasileira que exibia filmes de curta e média duração relacionados ao tema da imigração. Para as crianças, um picadeiro no qual aconteciam atividades lúdicas promovidas pelo Museu da Língua Portuguesa. Eram apresentadas sessões de contação de histórias e lendas, além de oficinas de teatro. Ao longo do evento também foram distribuídos panfletos com curiosidades da língua de diferentes países.

A Festa do Imigrante tinha fácil acesso através do transporte público, tinha o ingresso ao preço popular de R$6,00 e contou com cerca de 10 mil visitantes. Com suas inúmeras manifestações artísticas, ela acontece todo ano promovida pela prefeitura de São Paulo em uma tentativa de resgatar e homenagear a história de 2,5 milhões de imigrantes que passaram pela hospedaria.

Beatriz de Sá



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