ATENDIMENTO MÉDICO AOS HAITIANOS

O Ministério Público anunciou, esta semana, a liberação de R$970 mil destinados ao atendimento de imigrantes haitianos na rede pública de saúde no estado do Amazonas. A quantia será transferida para o Fundo de Saúde do Estado em seis parcelas e servirá para bancar exames médicos, medicamentos, emergências e serviços odontológicos para esses imigrantes.

Desde 2010, quando o Haiti foi abalado por um terremoto de sete graus na escala Richter, a presença de haitianos no Brasil aumentou consideravelmente. Estima-se que a catástrofe tenha atingido 3,5 milhões de pessoas e deixado 300 mil desabrigadas. A situação no país, que antes do ocorrido já era avaliado como o mais pobre das Américas, não melhorou muito desde então. Pouco da infra-estrutura atingida foi recuperada fazendo com que o fluxo de saída da população em busca de uma vida melhor aumentasse. Os dados oficiais apontam a entrada de 4 mil imigrantes haitianos no Brasil após o terremoto.

Chegando ao Brasil, no entanto, diferentemente do que a maioria deles poderia imaginar, a situação muitas vezes não se mostrou nada favorável. Em primeiro lugar, o percurso percorrido por esses haitianos para chegar ao país é realizado em meio a péssimas condições. Nas mãos dos chamados coiotes, os imigrantes passam fome, sede e tem que lidar com outras situações extremamente adversas e prejudiciais à saúde para chegar a seu destino.

Além das enfermidades provocadas pela viagem, a questão da saúde desses imigrantes é agravada pelas diferenças culturais entre os países. Como no Haiti não existe um sistema de saúde organizado, os haitianos que chegam aqui não recorrem ao Sistema Único de Saúde (SUS) para se tratar. Há, ainda, falta de esclarecimento e informações sobre doenças como a AIDS, mal que muitos deles acreditam ser provocado por feitiçarias.

Outro fator que agrava a situação da saúde dos haitianos no Brasil é a questão o idioma. Quase toda a população do Haiti fala crioulo haitiano e, assim, os imigrantes encontram dificuldades para se comunicar com os brasileiros. Apesar disso, já existem projetos de aulas básicas do idioma para agentes de saúde de áreas onde a presença deles é maior.

Porém, apesar das inúmeras situações difíceis que os haitianos possam encontrar em solo brasileiro, em janeiro desse ano a política migratória entre Haiti e Brasil sofreu algumas modificações que visam melhorar esse panorama. O governo brasileiro regularizou a situação de milhares de haitianos no Brasil e o Conselho Nacional de Imigração agora oferecerá visto por razão humanitária a até 1,2 mil deles por ano. A condição para receber esse tipo de ajuda é apresentar um comprovante de residência e um atestado de antecedentes criminais. O objetivo é diminuir a entrada, no Brasil de haitianos sem documentação.

A questão da saúde também está sendo cuidada. Além da recém quantia destinada ao Amazonas, no começo do ano, o estado do Acre recebeu R$1,3 milhão para a assistência médica dos imigrantes haitianos. A dificuldade a ser transposta, agora, é a falta conscientização dessa nova parcela da população brasileira.

Andressa Guerra – Agências



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