Perfil da estudante alemã Anja Nowak.
Anja Nowak é uma alemã de vinte e sete anos, nascida em uma cidade muito pequena – de cerca de 100 habitantes, apenas – chamada Miranee. Seu nome é russo e vem de “Anna”. Anja veio ao Brasil no quadro de um intercâmbio realizado pela Universidade de Viena com o objetivo de aprender a língua portuguesa. Há nove meses no Rio de Janeiro, está estudando na Faculdade de Letras, no campus do Fundão da UFRJ.
Essa não é a primeira visita de Anja às terras brasileiras, pois já esteve brevemente em Recife para ajudar meninos de rua, trabalhando para uma ONG alemã. Na verdade, foi essa primeira experiência que despertou o seu interesse pelo português, já que, na ocasião, sentiu-se mal por não conhecer absolutamente nada da língua, o que a deixou igualmente curiosa para aprendê-la.
Hoje, Anja tem residência na Áustria, onde começou a estudar português (de Portugal) em um curso particular. Com pais humildes (pai trabalhador e mãe dona de casa), que permanecem até hoje na pequena Miranee, seu intercâmbio gerou certa preocupação.
A própria Anja estranhou um pouco o tamanho da capital carioca, tendo que se adaptar aos grandes trajetos – o mais comum é seu caminho de Santa Teresa, onde alugou um quarto, até a ilha do Fundão.
Como grande parte dos estrangeiros, sentiu certa dificuldade burocrática para vir para o Brasil, principalmente por causa do visto – que precisa ser renovado de seis em seis meses. Além disso, a enorme quantidade de impostos sobre os produtos daqui a surpreendeu ao constatar os preços de tudo – inclusive alimentos e aluguel de imóveis.
Apesar disso, Anja afirma que foi bem recebida em nosso país, embora se sinta um pouco pressionada pela enorme exigência em se falar o português “super correto” na faculdade de Letras.
Anja Nowak também escolheu cursar algumas matérias de fotografia na Escola de Comunicação da UFRJ, por já ter familiaridade e interesse pelo tema. Uma dessas aulas é a de Retrato Fotográfico, que faço com ela.
Apesar do sotaque diferente – nitidamente de uma estrangeira -, sua dicção surpreende para quem está há apenas nove meses em um intercâmbio. Na verdade, se ela não dissesse na primeira aula que era alemã, nem mesmo seus cabelos dourados e olhos verdes poderiam denunciá-la. Mesmo sendo falante de uma língua tão diferente do português, está se adaptando muito rapidamente ao novo idioma.
A imagem estereotipada dos brasileiros – de um país de futebol, Carnaval e mulheres de biquíni – é comum na Alemanha, segundo Anja. Contudo, vivendo no Rio de janeiro, ela já pôde perceber alguns detalhes sobre o povo carioca que a surpreenderam. Anja notou, por exemplo, que o nível intelectual dos estudantes universitários – com os quais está convivendo bastante – é bastante elevado.
Sobre os hábitos alimentares brasileiros, Anja não pôde deixar de comentar da presença do arroz e feijão em quase todos os pratos, o que é bem diferente do seu país. Reparou, também, que consumimos muitas bobagens – como biscoitos e frituras – e temos o hábito de comprar as refeições sempre fora de casa (e não levá-las prontas). Comemos, também, muitos derivados da farinha de trigo, diferente dos alemães que, segundo Anja, comem mais alimentos integrais.
A experiência do intercâmbio no Rio de Janeiro está sendo boa, diz Anja. Não há uma previsão exata de até quando permanecerá, pois seu visto é válido até setembro de 2012 e não sabe se será renovado. Contudo, a vivência na cidade maravilhosa com certeza será marcante e, possivelmente, algum dia retornará ao Brasil, afirmou a alemã.
Gabriela Xavier
