HISTÓRIAS DE HAITIANOS NO BRASIL

Depois do terremoto de 2010, que devastou o Haiti, muitos haitianos decidiram escolher o Brasil como saída para conquistar uma vida melhor. A história da maioria possui diversas similaridades. As dificuldades que encontram quando chegam ao Brasil são bem parecidas. Eles saem de suas cidades sem saber o que encontrar pela frente, com pouco dinheiro no bolso e sem conhecer uma palavra do idioma local.

O Jornal Estadão, do Estado de São Paulo contou a história de Esdras Hector, um rapaz de 28 anos, estudante de Direito, que hoje faz parte da equipe de funcionários da usina Hidrelétrica de Teles Pires. Do Haiti até Brasileia, no Acre, foram 26 dias de viagem. Primeiro, pegou um avião até o Equador. Dali seguiu de ônibus para Lima, no Peru. Comprou um mapa da América do Sul e foi seguindo rumo ao Brasil com outros 100 haitianos. “Quando cheguei em Iñapari (Peru), fronteira com o Brasil, a ponte que liga à cidade de Assis Brasil estava fechada. Mas consegui chegar a Brasileia.”, contou. O governo brasileiro depois do grande crescimento de entrada de haitianos decidiu acolher os refugiados no país, os imigrantes chegam ao Brasil e podem trabalhar, obtem documentação e carteira de trabalho. Grande parte entrou no país pelo estado do Acre, passou por Manaus e seguiu para os demais estados do Brasil.

No estado do Paraná, na cidade de Curitiba vivem pouco mais de 400 haitianos. Apesar da dificuldade da língua e de temperatura, muitos haitianos já conseguiram se estabelecer e estão empregados. Trabalham como domésticos, babás, cozinheiras e motoristas. Rapidamente eles se adaptaram às diferenças culturais e aprenderam o idioma local.

Segundo o site Band.com, em matéria apresentada em abril deste ano os haitianos que chegam ao Paraná também recebem ajuda da Pastoral. A entidade é ligada à Igreja Católica e presta uma ajuda imediata aos migrantes, como a doação de roupas, alimentos e também ajudam a encontrar um lugar para ficar.

Os haitianos buscam também empregos em fábricas e usinas, são considerados uma mão de obra qualificada por aprenderem rapidamente suas tarefas. Hoje encontramos haitianos em diversos estados brasileiros, mas principalmente no sul e centro oeste do país.  A maioria vem para o Brasil e deixa suas famílias para trás.

As opiniões ainda são divididas, muitos gostariam de trazer suas famílias e se estabelecer definitivamente no Brasil. Já outros pretendem fazer suas economias e retornar a sua terra natal. Como a estudante de fisioterapia Laurette Dernadinil, do Haiti, chegou ao Brasil para estudar. Ela reclama da burocracia para regularizar a situação. “É preciso apresentar vários documentos e o processo é demorado e complexo. Tenho o visto de permanência, mas foi difícil conseguir”, diz.

Além de ter dificuldades para falar português, a imigrante, que veio de um país de muito calor, reclama também do frio de Curitiba. Depois que terminar os estudos, daqui a quatro anos, ela diz que já tem destino certo. “Vou voltar para o meu país, o Haiti. O ensino e as condições de vida do Brasil são muito melhores, mas eu sinto muita falta da minha terra e da família”, confessa.

Gabriela Pantelão



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