Mais de 55% dos imigrantes haitianos deixaram Manaus em busca de trabalho. Dos seis mil que chegaram a Manaus, apenas 2,5 mil ainda estão na capital. A maioria migrou para o Sudeste do País.
Desde o ano passado, os manauaras se acostumaram a ver haitianos nas ruas da capital amazonense. Mas, desde março deste ano, caiu a entrada dos imigrantes na região: os que chegaram, fizeram de Manaus apenas uma passagem. O objetivo ainda é o trabalho em São Paulo, a capital econômica do País. A afirmação é do superintendente Regional do Trabalho no Amazonas (SRTE/AM), Dermilson Chagas.
Ao fim de janeiro deste ano, o titular da SRTE já havia dito ao portalamazonia.com que, em conversas com os imigrantes, o órgão constatou que muitos decidiram guardar dinheiro para mudar de cidade. “Não vemos mais muitos haitianos em Manaus. Se houver mil deles ainda na capital, acho um número muito alto. O que acontece hoje é que os trabalhadores imigrantes enviam dinheiro para seus familiares no Haiti. A finalidade, em muitos casos, é trazer irmãos e pais para trabalhar no Brasil”, explicou Chagas.
De acordo com o padre da Igreja São Geraldo, Valdecir Molinari, o maior desafio para abrigar os imigrantes que vinham em massa para a capital era conseguir alimentos, já que em toda semana aumentava o número de pessoas. Muitos trouxeram mulheres e crianças consigo.
Após a tragédia do terremoto, em Porto Príncipe, no dia 12 de janeiro de 2010, milhares de haitianos resolveram tentar a sorte em outros países. Com a esperança de uma nova vida, depois da devastação de seu País, eles recebem ajuda e solidariedade da Pastoral da Imigração e da Casa de Acolhida São Francisco, através da Igreja de São Geraldo. “Eles sempre chegam em busca de trabalho, mas sem nada: sem referência, sem dinheiro e sem ter sequer onde dormir”, resumiu o padre.
A colaboradora da Coordenação da Pastoral do Imigrante no Amazonas, irmã Santina, confirmou a dispersão dos haitianos de Manaus para outras capitais brasileiras. Segundo ela, dos seis mil que chegaram a Manaus, apenas 2,5 mil ainda estão na capital amazonense. Ela diz que o Paraná é o Estado que mais contratou imigrantes, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo.
Até o início de março deste ano, o Amazonas foi maior empregador de imigrantes haitianos do País. Segundo dados do Conselho Nacional de Imigração do Ministério do Trabalho (CNIg), revelado em audiência pública no dia 5 de março, o Estado foi responsável pela criação de 55% das 916 vagas oferecidas em todo o País. Atualmente, seis mil haitianos residem no Brasil.
Faltam empregos para as mulheres
Os haitianos chegam a Manaus à procura de um emprego e uma vida melhor. A irmã – responsável pela intermediação entre imigrantes e empresas -, afirmou que os empresários conversam com a Pastoral sobre trabalho. Eles entram em contato com a igreja, e esta realiza a triagem conforme a necessidade das companhias. Os empreendedores pagam inclusive as passagens. “Os haitianos nos contam que estão tranquilos em seus novos postos de trabalho”, contou.
A contratação da mão de obra, porém, é mais complicada quanto ao sexo. Enquanto os homens são empregados pela Construção Civil sem muitas complicações, as haitianas têm maior dificuldade para trabalhar. Os problemas da labuta em casas de família começam com a língua, pois o idioma francês e o criole não são comuns aos manauaras.
“A comunicação é complicada. A dona da casa sai, deixa as ordens para o que fazer e há problemas no entendimento. Outra questão é que elas trabalhavam em comércios e ainda eram estudantes, não empregadas; mas já se conformaram e estão à procura e agora estão mais abertas ao trabalho, inclusive o doméstico”, salientou a Irmã.
Juçara Menezes
(Portal Amazônia – 26/07/2012)
