No final do mês passado (31/07/2012), o programa Profissão Repórterda TV Globo mostrou a vida dos imigrantes no Brasil, onde o número de vistos de trabalho para estrangeiros dobrou nos últimos três anos.
Em sua primeira visita a São Paulo, um casal de suecos se impressionou com o trânsito, a favela e a poluição do Rio Pinheiros. Johan e Hanna encontraram uma nova realidade. Johan é engenheiro e à convite da empresa saiu de Estocolmo para morar numa cidade dez vezes maior. Mesmo dispostos a pagar mais de R$ 15 mil, eles encontraram dificuldade para achar um apartamento.
No Rio de Janeiro, o português Gonçalo Franco, músico e desenhista industrial, fugindo da crise europeia, escolheu morar no morro do Vidigal. Para ele, não havia nenhum outro lugar melhor que uma favela carioca para conhecer a cultura, as pessoas e a música do Brasil. Gonçalo é amigo de João Ruas e Ricardo Coelho, outros dois portugueses que também vivem na comunidade pacificada. Adaptados aos estilo carioca, eles se preparam para abrir um restaurante com uma vista privilegiada.
Já no morro do Cantagalo, o italiano Diego Baronio fez um documentário chamado “É uma beleza morar aqui” para mostrar aos amigos italianos como era a vida numa comunidade. Há dois anos no Brasil, largou a vida de classe média para morar na favela pacificada. Tudo isso, segundo ele, por amor.
No Brás, o maior centro de comércio popular de São Paulo, cerca de mil angolanos circulam todos os dias. A maior parte é de sacoleiros que buscam mercadorias, como roupas, chinelos e apliques de cabelo natural, para revender em Angola. Depois de uma guerra civil que durou 27 anos, quase tudo que o país consome é importado. A sacoleira Jorgina Antonio levou oito malas para casa e pagou de excesso de bagagem R$2 400, valor que é compensado com a venda dos produtos.
A violência ainda é uma preocupação dos estrangeiros que se mudam pra cá. A americana Wendy Thomas vive com o marido e um filho num condomínio fechado em São Paulo, bem parecido com o escolhido pelos suecos. Ela ainda tem muitas dificuldades com o idioma e tem medo de dirigir sozinha por causa de roubos e mortes.
O italiano Tommazo Lotto chegou ao Brasil para procurar trabalho como consultor financeiro na sexta-feira, 20 de julho. No dia seguinte, morreu numa tentativa de assalto em um sinal de trânsito de São Paulo. O jovem, que nunca havia sido assaltado na Europa, perdeu a vida por causa de um relógio rolex. Foi mais uma vítima de um país que atrai tanta gente, mas que ainda tem muito o que melhorar.
Guilherme Ramalho
