SÍRIOS SEM DOCUMENTOS

O Brasil conta atualmente com 60 sírios com o estado de refugiado regularizado, segundo dados do Acnur (Agência da ONU para Refugiados). Mas, de acordo com um grupo independente de apoio a refugiados, há muitos sírios em situação irregular no País: eles estão sem o documento de refúgio ou com o visto de entrada vencido.

A Coordenação da Revolução Síria no Brasil, como o grupo se autodenomina, é formada por empresários árabes e brasileiros e atua em São Paulo. A rede humanitária vem ajudando a tirar sírios da guerra civil que assola o país há 18 meses e que já deixou mais de 25 mil mortos.

O grupo, que já trouxe nove pessoas por conta própria da Síria, apoia atualmente 25 sírios na cidade de São Paulo, com estadia e emprego.

Segundo um dos fundadores do grupo e seu principal porta-voz, Amer Masarani, o governo brasileiro concede, na maioria dos casos, o visto para apenas um ou dois meses, deixando alguns sírios em situação ilegal antes de regularizarem seu estado de refugiado no Brasil.

A legislação do Brasil garante que refugiados que estão fugindo de perseguição e/ou violência em seu país de origem não sejam mandados de volta para sua terra. Segundo Masarani, os sírios em situação irregular já entraram com o pedido para regularizar a condição de refugiado.

Para Masarani, que assiste diariamente aos violentos confrontos que destruíram seu país e mataram muitos de seus amigos, o presidente Bashar al Assad não irá resistir à revolta da população.

— Para mim, o Bashar já era. Mas ele está tentando deixar o máximo de destruição no país. No começo da revolução, ele disse que se restasse apenas um prédio do lado do castelo dele, para ele estava bom. Então ele decidiu, há 18 meses, a destruição.

Masarani deseja também que Assad, a quem ele chama de “assassino”, seja morto.

— Eu acho que vai ser igual ao Gaddafi (ditador da Líbia, morto por rebeldes durante revolução em 2011). Se ele for pego, vai ser executado. O povo está com o coração cheio de raiva.

Enquanto o mundo se revolta com as imagens da guerra, o fluxo de sírios que saem do país em busca de segurança em nações vizinhas ou atravessam o oceano é cada vez maior — e ilustra a revolta do povo contra a ditadura.

Segundo o Acnur, já são mais de 235 mil refugiados síros registrados ou esperando pelo registro em países da região.

Giovanna Arruda

(R7 – 24/09/2012)



Categorias:refugiados

%d blogueiros gostam disto: