SÍRIOS FOGEM PARA BRASIL

Sírios que fogem da violência procuram recomeçar no Brasil.

A violência na Síria está obrigando centenas de milhares de pessoas a fugir para os países vizinhos. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas, mais de 350 mil sírios já atravessaram as fronteiras com o Iraque, o Líbano, a Jordânia e a Turquia.

Mas um outro grupo de refugiados está percorrendo um caminho de milhares de quilômetros de distância para buscar segurança. De acordo com o Comitê Nacional para Refugiados do Brasil, Conare, desde o ano passado 90 sírios pediram asilo ao governo brasileiro.

O sírio Tarik Masarani, que nasceu em Homs, falou sobre a decisão de fugir para o Brasil após sua cidade natal se tornar alvo dos combates. “Se eu não fugia, eu estaria morto. Minha família e eu. Seria a morte. Faltava luz, água, comida, tudo que o ser humano precisa para sobreviver”.

Um outro caso de fuga forçada ocorreu com o empresário sírio Jihad Mohammed. Bem estabelecido em seu país de origem, Jihad viu a ordem de sua vida desmoronar com os primeiros confrontos entre tropas do governo e opositores do presidente Bashar al-Assad.

“Não dava mais para ficar (na Síria). Cortaram luz, água, todo tipo de comunicação. Nos primeiros dois dias, o telefone fixo estava funcionando, foi aí que conseguir ligar para a Embaixada Brasileira e pedir para ela nos ajudar. Eu sou casado com uma brasileira e tenho dois filhos brasileiros”.

Jihad Mohammed contou que retornou ao seu país de origem em 2008, onde conseguiu se estabelecer com conforto, mas decidiu fugir para o Brasil em busca de paz.

Mohammed e Tarik explicaram que apesar de estarem fugindo do conflito sírio, eles não precisaram pedir o status de asilado por estarem casados com brasileiras ou terem vínculo legal com o Brasil.

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, até o momento, o Brasil acolheu 34 refugiados sírios.

Além de São Paulo, eles estão vivendo em Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro, entre outros estados.

 

Mônica Villela Grayley

(Rádio ONU – 22/10/2012)



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