MEIO SÉCULO DA IMIGRAÇÃO COREANA E SUAS DIFICULDADES

A história dos primeiros imigrantes coreanos no Brasil tem como marco oficial a data de 12 de fevereiro de 1963. Segundo dados do Consulado Geral da República da Coreia em São Paulo, estima-se uma população de 50 mil pessoas no País. Tal evento constitui uma das ondas imigratórias mais recentes ao Brasil, tendo São Paulo sido eleita como destino pela grande maioria, somando-se aos demais imigrantes da metrópole.

Muitos chegaram à cidade, que este ano completa 459 anos, entre os anos de 1965 a 1974, com maior fluxo ocorrendo na década de 70. Os primeiros imigrantes que aqui chegaram, após exaustivos 56 dias a bordo do navio holandês Tjitjalengka, deixaram para trás um país devastado pela guerra civil, uma era de dominação japonesa e um rigoroso sistema de alistamento no serviço militar.

Vieram em busca do sonho por dias melhores. Passaram-se os anos, envelheceram, e ainda assim muitos deles têm dificuldades com o idioma.

Contudo, se superaram, venceram em terras longínquas, e contribuíram para o mosaico cultural e étnico que é a cidade de São Paulo.

Ao contrário da quantidade de estudos sobre a imigração japonesa, são poucas as pesquisas existentes sobre a comunidade coreana no país. Entre elas, destaca-se o estudo Imigração e envelhecimento na Cidade de São Paulo: perfil de um grupo de idosos coreanos, da médica coreana Hee Jeung Hong, pela PUC-SP, professora da Universidade Aberta à Maturidade da PUC-SP e diretora de planejamento da ONG para terceira idade OHD. Hong está radicada no Brasil há 43 anos.

A pesquisa, uma dissertação de mestrado, foi concluída em 2011 e contou com a orientação da Profa. Dra. Beltrina Côrte. Aplicou-se um questionário em 155 pessoas, coreanos acima de 60 anos, visando mapear o perfil de um grupo de imigrantes que vive na cidade, sendo 120 mulheres e 35 homens.

Foi constatada a longevidade desses idosos, grande parte na faixa de 70 a 79 anos (44%), e de 80 a 85 anos (35%). Observou, assim como nos idosos brasileiros, a feminização da velhice na comunidade coreana.

Verificou-se incidências de Hipertensão Arterial (39,5%); Diabetes (22,2%); Doenças Cardiovasculares (21%), Artrose (18,6%) e Hipercolesterolemia (16,2%). Os planos de saúde privados são a escolha de 45% dos idosos e apenas 9% relataram fazer uso dos serviços médicos públicos.

Alguns recorrem aos consultórios de médicos coreanos, ainda que sejam beneficiários de planos de saúde, justamente pelo empecilho de se comunicar em português.

Devido à barreira do idioma, muitos se tornam dependentes de seus familiares em diversos aspectos, pois acabam necessitando de um intérprete, papel exercido mais enfaticamente pelos filhos e seus cônjuges.

O fator preponderante pelo qual os idosos coreanos se excluem dos programas voltados à terceira idade no país é a comunicação, o que acaba gerando desinformação sobre tais iniciativas.

Os dados coletados corroboram a formulação de norteadores de ações sociais e educacionais abrangentes, informativas e inclusivas, contribuindo ainda para a promoção da solidariedade e ações que melhorem a qualidade de vida dos imigrantes instalados na cidade de São Paulo, lembrando que a comunidades está completando 50 anos de imigração neste mês de fevereiro de 2013.

O envelhecimento da população coreana na cidade de São Paulo, apesar da barreira do idioma, forte fator impeditivo, exige políticas e ações, a fim de que se preserve a autonomia e a independência. Faz-se necessário a inserção da comunidade coreana nos programas de qualidade de vida, promoção da saúde biopsicossocial e nas políticas de prevenção de doenças, postergando assim, o advento de doenças crônico-degenerativas e seus encargos socioeconômicos.

Hee Jeung Hong

(Comuque-se – 07/02/2013)



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