Abrigo de Brasileia muda para garantir melhor assistência a imigrantes.

Desde que a força-tarefa do governo federal, com apoio do governo do Estado, iniciou a intervenção no abrigo de Brasileia, que está recebendo os imigrantes vindos do Haiti e de países da África, o acolhimento aos imigrantes melhorou.

Nas últimas semanas um mutirão foi promovido para a limpeza e construção de banheiros – são 15 novos banheiros com chuveiros. Também foram colocadas tendas e adequada uma área para ser refeitório dos abrigados. O local ainda recebeu um trailer, que faz o cadastro de acolhimento dos imigrantes que vão chegando ao local. Em apenas um dia foram cadastrados 50 novos imigrantes no abrigo, que até o último sábado, 27, registava 900 imigrantes.

Na entrada os imigrantes registram nome, sobrenome e país de origem. Os passaportes dos haitianos são separados dos demais, tendo em vista que o Brasil tem um acordo com o Haiti e por isso há acolhimento desses imigrantes no país.

Embora o número de imigrantes ultrapasse a capacidade máxima do abrigo, o secretário de Desenvolvimento Social do Estado, Antônio Torres, esclarece que todos têm seus colchões e recebem alimentação e água. Ele frisa também que a maior parte não vem para o Acre com intenção de fixar residência no estado. “Há quem já tenha familiares aqui no Brasil e esperam apenas pelo dinheiro que os parentes enviam para poder ir embora. Outros têm planos de ir para São Paulo e outras capitais”, esclarece.

Antônio Torres explicou que há duas semanas o governo do Estado mantém no município um secretário de Estado para auxiliar no trabalho de acolhimento dos imigrantes. A mobilização envolve a Secretaria de Segurança, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social.

“A contribuição do governo federal tem sido muito importante. O Estado já estava com esse trabalho e agora todos trabalham muito mais seguros. As secretarias do Estado estão dando total apoio”, disse Torres.

“Torre de Babel” de línguas

A comunicação entre os imigrantes e os brasileiros que trabalham no abrigo ainda é um desafio. Alguns imigrantes falam inglês, francês e crioulo (dialeto haitiano) e outros falam espanhol. Mas o voluntariado que parte dos próprios imigrantes faz toda diferença. Entre um dos voluntários na comunicação entre imigrantes e trabalhadores do abrigo está o haitiano Emmanuel Baptiste.

Ele chegou ao trailer instalado no abrigo para escrever placas de aviso em crioulo. “São placas para que as pessoas entendam que não podem colocar a mão na água”, diz ele em ‘portunhol’.

De fato, outro desafio para as equipes que atuam no abrigo é a higiene. Em virtude disso, a força-tarefa promoveu no último fim de semana palestras sobre higiene coletiva e pessoal. “Para essas palestras também vamos contar com o voluntariado de uma haitiana que fala espanhol e entende o português. Ela vai traduzir o que o palestrante vai dizer”, contou a psicóloga Lucíola Pedroza.

A psicóloga que veio participar da força-tarefa é natural de Alagoas e relata que já atuou em diversas ações de apoio a tragédias. “Mas nunca tinha feito um trabalho parecido com este. Deixo o Acre com uma sensação muito boa, espero poder voltar aqui. Fiquei feliz por poder ajudar essas pessoas que estão chegando em busca de uma vida melhor”, completou.

Nayanne Santana

(Notícias do Acre – 29/04/2013)