A ideia do governo federal de trazer médicos estrangeiros para atuar no país foi anunciada no início deste mês e provocou polêmica. Em princípio, o Ministério da Saúde falou em profissionais cubanos.

Por conta da reação de alguns setores – que enxergaram na proposta um viés ideológico (!) –, o governo anunciou que pensa também em importar profissionais espanhóis em portugueses, países que vivem uma séria crise econômica.

No caso dos portugueses, a vantagem poderia ser maior, uma vez que não haveria a barreira da língua para dificultar a relação entre médico e paciente.

A sugestão de importar profissionais foi dada ao governo pela Frente Nacional de Prefeitos, por causa da dificuldade em contratar médicos para o interior do país.

De fato, a demografia dos médicos é desigual no Brasil. Quase 60% atuam nas grandes cidades. Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo têm o maior número de profissionais por grupo de mil habitantes.

O governo ainda está definindo os detalhes de como será a contratação dos estrangeiros. A maior preocupação diz respeito à validação do diploma. Hoje, é exigido que médicos que tenham se formaram no exterior façam uma prova para poder atuar no país.

De cada 100 profissionais que se formam fora do Brasil, apenas 15 conseguem validar o diploma no país. A maioria deles é formada por brasileiros que estudam na Bolívia ou em Cuba.

É precisa destacar, todavia, que muitos médicos estrangeiros já atuam no país com absoluto sucesso, provando que os protestos de parte da categoria age apenas por corporativismo, sem fundamento científico ou social cabível.

Assim, além do grande número de médicos estrangeiros que atuam de modo informal no país – tanto na região norte como na pariferia de várias capitais e que, por motivos óbvios, não podem ser correatmente quantificados, pelo menos 2.399 estrangeiros já atuam legalmente no país, segundo a edição atual da Demografia Médica no Brasil.

Os dados mostram que os profissionais são oriundos de 53 países – a América Latina representa 94% do total. No topo da lista estão os bolivianos, que somam 880, seguidos por 401 peruanos e 264 colombianos. Cuba está em quarto lugar, com 216 médicos trabalhando em território nacional.

A pesquisa elaborada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) também revela que os estrangeiros não escolhem localidades remotas do Brasil para trabalhar. A maioria vem para cá para atender pacientes nos grandes centros urbanos, especialmente os da Região Sudeste, como a capital paulista. E, assim como os profissionais brasileiros, a maior parte dos médicos importados também não tem títulos de especialistas – são apenas clínicos.

(Agências – 18/05/2013)