No último dia 18 de junho os japoneses que moram no Brasil comemoraram 105 anos de sua imigração para o país. O mês de junho é sempre cheio de muitas festas e celebrações para os nipo-brasileiros desde a chegada do Navio Kasato Maru no estado de São Paulo, em 1908.
A imigração japonesa teve inicio no século XX. O Brasil naquela época precisava de mão-de-obra para as lavouras de café, enquanto o Japão, passava por um período de grande crescimento populacional. A economia nipônica não conseguia gerar os empregos necessários para toda população, então, para suprir as necessidades de ambos os países, foi selado um acordo imigratório entre os governos brasileiro e japonês.
Aproximadamente quinze mil japoneses chegaram ao Brasil durante os primeiros dez anos de imigração, que aumentou ainda mais depois do inicio da Primeira Guerra Mundial A grande maioria dos imigrantes preferiram se estabelecer no Estado de São Paulo, uma vez que nessa região já estavam formados bairros e até mesmo colônias com um grande número de japoneses. Mas não foi só para lá que os japoneses imigraram, algumas famílias espalharam-se para outros cantos do Brasil como, por exemplo, o norte do Paraná, o Pará e outros estados onde a agricultura era forte e a existia grande procura por mão-de-obra.
Uma grande parcela dos imigrantes japoneses chegou ao Brasil com a promessa de que enriqueceriam rápido e logo poderiam regressar ao seu país de origem. O idioma, hábitos alimentares, o modo de vida e as diferenças climáticas acarretaram diversas dificuldades em sua adaptação, e o choque cultural era mais um fator que contribuía para o desejo dos imigrantes de retornar ao Japão. Mas esse enriquecimento rápido era um sonho impossível, já que os salários eram baixos e as despesas a sobrevivência eram consideráveis.
Com o tempo o destino dos imigrantes japoneses foi mudando e eles foram conquistando cada vez mais seus espaços em terras brasileiras. A partir da década de 60, o número de famílias japonesas que administram seus próprios negócios aumentou consideravelmente. Os homens trabalhavam como feirantes, quitandeiros e tintureiros, e as mulheres, como costureiras e em salões de beleza. E assim, os japoneses começaram a crescer no mundo empresarial no Brasil.
Na década de 70, já não era tão estranha a convivência entre as culturas japonesa e brasileira, e o número de casamentos entre etnias diferentes aumentou no país. Nessa época, o Japão se recuperou da crise econômica e passou ocupar um papel de destaque no cenário mundial. E foi perto dos anos 80 que o fluxo imigratório se inverteu. Os nipo-descendentes e seus cônjuges, com ou sem ascendência japonesa, e seus filhos mestiços ou não, passaram a emigrar para o Japão à procura de melhores oportunidades de trabalho. Estes emigrantes brasileiros são conhecidos como dekasseguis.
Apesar do fluxo imigratório contrário, atualmente a população nipo-brasileira ainda é a maior entre os imigrantes no país. A cidade de São Paulo é lugar onde vivem maioria deles. Ainda é possível encontrar famílias que moram no interior dos estados, que vivem da agricultura e falam muito pouco o português. Mas a população japonesa é composta por várias comunidades associativas institucionais onde se reúnem periodicamente para que sua cultura de origem jamais seja esquecida.
Gabriela Pantaleão
