‘Universidade do Brasil’, uma das denominações da UFRJ, poderia ser um nome perfeito para a melhor dentre as federais brasileiras¹: em seus mais de 6 campi espalhados pelo Rio de Janeiro, encontram-se jovens dos mais diversos e longínquos locais do país. Mas, nos últimos anos, com um incentivo crescente à vinda de estudantes estrangeiros a faculdades brasileiras, a história mudou: pelo menos 21 países fazem-se presentes na universidade carioca.
É essa a reformulação cultural pela qual vem passando a UFRJ – que abre as suas portas para o ensino exterior, acolhendo não só estudantes, como também docentes de outros países em busca de intercâmbios intelectuais. Recentemente, foi divulgado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) um estudo acerca dos gastos do governo em programas de cooperação internacional para incentivar a educação. O Brasil investiu 63 milhões, em 2010, dos quais 31 milhões foram destinados aos cursos de graduação, bolsas de estudo e auxílio e concessão de passagens aéreas para alunos estrangeiros no país.
O PEC-G (Programa de Estudantes-Convênio de Graduação) foi criado em 1964 e é através dele que diversos estudantes realizam, todos os anos, o sonho de estudar em terras brasileiras.
Segundo dados fornecidos pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) com exclusividade ao O Estrangeiro, cerca de 88 jovens de 21 países diferentes estão matriculados, atualmente, na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Vindo, principalmente, de países africanos (Cabo Verde e Guiné Bissau lideram o ranking com, respectivamente, 21 e 17 alunos), esses jovens procuram, em sua maioria, os cursos de Medicina, Economia e Engenharia Civil.
Outro ponto curioso, dentre as informações cedidas pelo FNDE, encontra-se na quantidade de alunos efetivamente matriculados e a candidatura dos mesmos às vagas cedidas. Comunicação Social e as Engenharias Mecânica e Química, por exemplo, não somam mais que dois alunos de fora (encaminhados pelo PEC-G) em cada curso – ainda que as oportunidades de emprego nas áreas sejam amplas no país. Em contrapartida, Engenharia de Petróleo e Administração detém um número um pouco maior: ambas contam com 4 matrículas.
Se as 182 candidaturas de estudo à UFRJ pelos educandos estrangeiros surpreendem alguns, é válido destacar que ainda é considerável a desigualdade desse número em comparação à quantidade enviada pela universidade do Rio de Janeiro ao exterior. Do segundo semestre de 2012 até agora, cerca de 228 estudantes brasileiros se inscreveram em programas de intercâmbio em faculdades de fora do país.
Entre notícias, cifras e números, fica clara a abertura das universidades nacionais, e, em destaque, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, ao ensino intercambial e amplamente fornecido aos mais diferentes estudantes possíveis.
Se Universidade do Brasil não é o melhor nome para definir a atual UFRJ, talvez ‘Universidade Intercultural’ possa ser uma boa designação. Afinal, nunca tinha-se observado tamanha profusão de sotaques, idiomas, cores e costumes tão intensos nesse, que foi o primeiro centro de ensino do país. Profusão essa, regada, é claro, à muitos estudos.
¹ Segundo o ranking de 2013, da QS Quacquarelli Symonds University Rankings, a UFRJ é a 8ª melhor universidade da América Latina.
Gabriela Isaias
