O jornalista britânico Mark Hillary lançou, há duas semanas, o livro “Reality Check: Life in Brazil Through the Eyes of a Foreigner” (vida no Brasil ao olhar de um estrangeiro), à venda na Amazon por R$ 3,99 (Edição Kindle).
A obra conta a experiência da mudança do autor para o Brasil no final de 2010.
Veja alguns trechos da entrevista.
Folha – Quais são as maiores dificuldades para um estrangeiro que vem trabalhar no Brasil?
Mark Hillary – Além da língua, a burocracia. É difícil conseguir um trabalho sem vir ao país primeiro, com visto de turista. Você garante o emprego, volta ao país de origem e retorna com a autorização de trabalho. É um procedimento complicado.
Folha – A burocracia para trabalhar no Brasil é maior que em outros países?
Mark Hillary – Certamente. Outros países facilitam muito a entrada de mão de obra estrangeira qualificada. O melhor exemplo é a Austrália. Eles definem critérios, como graduação, mestrado e experiência no mercado, e atribuem pontuações. Se você atinge uma pontuação suficiente, pode trabalhar lá. É bastante fácil se inscrever.
Folha – Que tipo de experiência o senhor conta no livro?
Mark Hillary – Lidar com órgãos públicos como a Polícia Federal, por exemplo, é muito difícil. Eles não fornecem a informação de que você precisa. No site, há dados incorretos. Você explica isso a eles e recebe como resposta: “Não acredite no site”. Explico também como comprar um imóvel. É um guia bem prático.
Serra Negra
Em seu trabalho como escritor, Mark é especializado em globalização e gestão corporativa com dez livros publicados sobre o assunto, incluindo “Quem Mexeu no Meu Emprego,” publicado em português. Além de seu trabalho literário, Mark foi assessor da Organização das Nações Unidas – ONU e um dos blogueiros oficiais durante os Jogos Olímpicos de Londres. Ele escreve regularmente sobre aspectos da vida no Brasil para o The Huffington Post, um dos maiores jornais online do mundo.
“Gosto muito da vida aqui. Serra Negra é muito mais calma que São Paulo e é cercada por uma natureza fantástica – meu vira-lata, o Joe, adora o Alto da Serra – e já virei fã de carteirinha de lugares como a Padaria Serrana e o Café Boteco. As pessoas têm sido muito acolhedoras comigo e eu tenho aprendido muito sobre o Brasil com elas”, disse o escritor.
Questionado sobre a possibilidade de a cidade conseguir atrair mais visitantes estrangeiros, Mark explicou que “O destino da maior parte dos estrangeiros que visitam São Paulo é o Rio, mas mesmo assim existem grandes oportunidades. A nova edição do guia sobre o Brasil da Fodor’s Travel em inglês vai ser lançada em novembro desse ano e vai incluir Serra Negra pela primeira vez. A Copa do Mundo de 2014 vai trazer muitos turistas estrangeiros para São Paulo e eles terão tempo livre entre os jogos, e Serra Negra poderia receber esses visitantes.”
Hillary deu algumas sugestões para que a cidade possa receber melhor os estrangeiros. “Há algumas coisas que poderiam ser melhoradas. O inglês usado nas placas de rua é mal traduzido, a bandeira britânica nas placas está de cabeça para baixo, ainda precisamos de mapas da cidade em inglês, os restaurantes e bares daqui não tem cardápios bilíngues, mas essas coisas não são tão graves.
Eu sempre sou muito bem tratado em todos os lugares que visito em Serra Negra, então tenho certeza que visitantes de fora também vão se sentir bem-vindos. Talvez mais britânicos deveriam vir morar aqui, assim teremos pessoas o suficiente para criar uma banda cover dos Beatles!”
(Agências – 23/09/2013)
