CHEN, UMA AUTÊNTICA SINO-BRASILEIRA

Dona de um tradicional restaurante chinês do Rio de Janeiro, Chen Pi Di é um exemplo de imigração chinesa bem sucedida e de contribuição na integração da comunidade sino-brasileira no Rio de Janeiro. Seu restaurante, Chinatown*, localizado na Tijuca, bairro com forte presença da comunidade chinesa, é um ponto de encontro de imigrantes e descendentes, além de ser referencia para chineses que visitam a cidade a negócios ou turismo.

Nascida em Xangai, na década de 60 em plena revolução cultural, é filha de um professor universitário e de uma dona de casa, teve seis irmãos e passou dificuldades materiais na infância. Veio para o Brasil, onde reside desde então, em 87 com uma irmã e dois sobrinhos para a cidade do Rio de janeiro em busca de novas oportunidades. Ao chegar, aprendeu português na Associação Chinesa, também localizada no bairro da Tijuca, onde também conheceu seu futuro marido. Os dois juntos abriram o restaurante, um dos primeiros e raros genuinamente chineses do Rio de Janeiro.

Uma figura conhecida na comunidade chinesa, Chen é extremamente integrada na sociedade brasileira. Na criação de seus filhos, por exemplo, diferentemente de outros imigrantes, ela optou por inseri-los em colégios de tradição do Rio – seu filho mais velho estudou no São Bento – e não achou oportuno lhes ensinar mandarim. Hoje em dia, já crescidos, os filhos se identificam mais com a sociedade e cultura brasileiras de que as chinesas. Ainda assim, sua filha passou, recentemente, um tempo na China e conheceu seus avós, que continuam vivendo em Xangai.

Ao comparar ambas as sociedades, Chen diz que as diferenças são evidentes, principalmente no trato cotidiano e na preocupação com a educação, para citar alguns exemplos. A matemática nas escolas brasileiras é menos valorizada, lamenta ela.

Um ponto que diferencia a imigração chinesa – e asiática no geral – segundo Chen, é a questão de identificação étnica; enquanto para muitos imigrantes europeus, africanos e seus descendentes é relativamente fácil passar despercebidos socialmente, para os asiáticos o estigma de emigrante persiste e perdura com os filhos e netos por conta de seus traços físicos.

Assim como a grande maioria dos imigrantes, Chen enfrentou grandes jornadas de trabalho para se estabelecer no Brasil e poder dar uma vida mais confortável a sua família e uma educação de qualidade a seus filhos.

Comparando a China de quando saiu – a China da Revolução Cultural de Mao – à China atual, ela observa as muitas mudanças positivas que ocorreram, como na economia, onde sua abertura e crescimento deram surgimento a novas oportunidades de emprego, melhores salários, acesso a novos bens de consumo que antes não eram disponíveis para a população e também, graças a essa abertura de mercado, uma diminuição do controle estatal na liberdade dos cidadãos.

Fabian Falconi e Daniel De Abreu

*O restaurante Chinatown se encontra na rua Afonso Pena, 13 – Tijuca, Rio de Janeiro.
Telefone: 2234-8882.



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