Escolas estaduais da região de Ribeirão Preto abrigam 45 estudantes estrangeiros, a maioria deles do Japão, seguidos por paraguaios, norte-americanos e peruanos.

Uma destas crianças é Ryousuke Wada, 11 anos, que estuda na escola estadual Francisco da Cunha Junqueira, em Bonfim Paulista, e veio para o Brasil há dois anos. Ele mora com os avós paternos em Mombuca, em Guatapará.

“Eu falava japonês e foi um pouco difícil. Não conseguia falar direito o português. No começo era difícil fazer amizades, mas depois eu consegui”, conta.

No começo ele sentia falta dos amigos japoneses que havia deixado na cidade de Aichi, mas com o tempo o português foi sendo desvendado e tudo se tornou mais fácil. Agora, ele diz que tem dificuldades em outras disciplinas, mas recebe apoio.

“Hoje eu tenho dificuldades em resolver problemas de matemática, mas a professora me ajuda bastante”, diz ele.

O menino também tem a ajuda do primo Kazuyuri Lopes Kojima, 14 anos, que é brasileiro e nunca foi para o Japão. Ele apoia o primo nas dificuldades escolares. Os dois moram na mesma casa. “Quando ele chegou não sabia ler e falar algumas palavras em português e eu tentava ajudá-lo”, diz.

Professora oriental

Yoko Nakami Miahara é a professora de Matemática de Ryousuke e o ajuda nas horas de dificuldades com o idioma. Ela também encarou dificuldades por ser a filha mais velha de uma família japonesa.

“Foi uma surpresa encontra-lo na sala. No começo o entendimento da língua era muito difícil porque ele nasceu lá e quando chegou aqui era tudo diferente”.

Ela diz que quando foi para a escola não entendia o português porque em casa os pais se comunicavam apenas em japonês.

“Eu senti na pele o que ele sofreu. Do japonês para o português é completamente diferente. Vou explicando na língua japonesa no cantinho para ele. O entendimento é difícil, mas ele já está dominando bem a língua”, afirma a professora.

Menino tem ajuda oriental na escola

Eliana Kojima, tia de Ryousuke e coordenadora pedagógica da escola, diz que foi difícil responder a todas as perguntas e decifrar o vocabulário que o menino não entendia.

“Eu tentava explicar, pegava os objetos e mostrava e ele se adaptou bem”, diz.

A professora Yoko diz que o aluno tem a conduta oriental: faz as tarefas e os trabalhos de arte com perfeição. “Este capricho dele é ótimo porque auxilia no raciocínio matemático”.

Estado garante acompanhamento

De acordo com a dirigente de ensino Simone Maria Locca os alunos estrangeiros são acompanhados por supervisores de ensino que vão até às escolas para saber como eles estão se saindo no dia a dia da sala de aula.

“São alunos de diversas nacionalidades e atender a todos não é fácil porque às vezes a escola não tem profissional que domina língua. Nestes casos, pedimos auxílio dos pais ou recorremos ao nosso Centro de Línguas que têm professores que falam japonês, alemão, inglês e outras línguas”, afirma.

Para ela é importante a presença dos alunos estrangeiros nas escolas estaduais porque existe uma troca de cultura entre brasileiros e quem vem do exterior.

Ela também elogia a criação do Núcleo de Inclusão Educacional, novo órgão da Secretaria de Estado da Educação criado para definir diretrizes para receber bem estes alunos.

“É importante ter esta pasta para nos trazer informações teóricas e técnicas próprias para orientar o aluno para que ele estude com critério.”

Alunos estrangeiros na rede estadual da região de Ribeirão Preto

País de origem

Número

Japão 13
Paraguai 08
Estados Unidos 04
Peru 04
Argentina 03
China 03
Colômbia 02
Portugal 02
Uruguai 02
Alemanha 01
Angola 01
Bolívia 01
São Tomé e Príncipe 01

Jucimara de Pauda

(A Cidade – 03/10/2013)