OLHAR E PALAVRA DE CRIANÇAS

Como é ser criança estrangeira no Brasil? 13 meninas e meninos, nascidos em várias partes do mundo e morando atualmente aqui, contam..

O UOL Crianças conversou com meninas e meninos nascidos em várias partes do mundo para saber o que eles acham de morar no Brasil.

Os pequenos estrangeiros contaram curiosidades e diferenças entre o Brasil e seus países de origem.

Noah, 6, argentino

“Eu acho muito engraçado falar ‘pirou na batatinha'”, diverte-se o garoto.

Para Noah, aprender português não foi difícil. “Foi mais ou menos fácil porque meu pai me ensinou um pouquinho.”

Noah conta que na Argentina o supermercado é diferente. “As frutas ficam no começo e só tem teto onde as pessoas ficam”, diz.

Nora, 5, russa”

São Paulo é muito longe, tem que pegar quatro aviões! Eu não vi nenhum Papai Noel na Rússia, só aqui”, conta.

A Nora sente saudades de brincar na neve e diz que na escola em que estudou, na Rússia, as crianças podiam dormir depois da aula.

Ela não achou difícil aprender português, está gostando de morar no Brasil e adora comer arroz. “Aqui tem muito supermercado pra comprar arroz”, comemora.

Shane, 8, americano

“Lá nos Estados Unidos tem uma brincadeira que é uma mistura de pega-pega e esconde-esconde, que não tem aqui”, conta Shane.

O garoto adora futebol, torce pelo Corinthians e é fã do jogador Alexandre Pato. A comida brasileira preferida dele é feijão.

Mesmo assim, Shane não gosta muito de morar no Brasil. “Aqui tem muita lição de casa”, diz. Ele também acha o português um pouco difícil de aprender por causa dos acentos.

O menino também já morou na Inglaterra. “Nas escolas americanas e inglesas não têm cadeiras, nem lousa. Tinha computadores. Os shoppings de lá também são diferentes dos daqui”.

Nekhil, 6, indiano

O menino mora há quase um ano no Brasil. Para ele, que fala os idiomas hindi, telugo e tâmil, da Índia, além de inglês, não foi difícil aprender o português.

Para Nekhil, as diferenças entre Índia e Brasil são as notas de dinheiro e um brinquedo. “Na Índia tem uma nota de mil que não tem aqui. Mas no Brasil tem peteca e lá não tem”, diz.

Ele também conta que a população na Índia é maior e lá tem muitas coisas que não tem aqui, como comidas, por exemplo.

Nekhil acha legal morar no Brasil. Ele adora arroz e feijão, mas sente falta da avó e do calor que faz na Índia.

Paula, 7, espanhola

“Quando aqui é inverno, lá é verão”, essa é a principal diferença entre o Brasil e a Espanha para a garota.

Paula diz que as escolas espanholas são mais avançadas. “Lá tem uma sala só com computadores”, conta.

Ela gosta de morar nos dois países, mas sente falta das amigas e das avós que ficaram na Espanha. Paula explica quando as avós vêm visitá-la: “algumas vezes, minhas avós compram ‘passaporte’ para o meu aniversário”.

Para ela não foi difícil aprender português, já que algumas palavras da língua portuguesa são parecidas com o idioma dela. “Às vezes, a professora pede para eu falar o nome das palavras em espanhol”, diz.

Aldo, 12, italiano

“No Brasil as pessoas são mais legais com as crianças. Aqui é mais fácil fazer amigo. Na Itália, as crianças gostam de ficar sempre no mesmo grupo com as mesmas pessoas”, conta o menino.

Ele diz que na Itália as escolas são muito pequenas, não têm muitas matérias nem muita tecnologia. “Aqui é um país mais moderno. Lá as casas, apartamentos e igrejas são antigos”, diz.

Para ele aprender o português não foi difícil. Aldo conta até que palavra da língua portuguesa achou engraçada: “Xixi”, se diverte-se o garoto.

O menino diz que os amigos brasileiros têm um interesse especial pelo italiano. “Eles querem aprender palavrões em italiano”, afirma.

Aldo está gostando de morar no Brasil. Ele já tem até um prato favorito: feijão.

Magdalena, 6, russa

“Lá tem neve e a minha vovó. Tem filmes legais, cavalo, tudo divertido. A escola na Rússia tem cama, brinquedo e almoço”, afirma a garota.

Magdalena ensina seus amigos brasileiros a contarem em russo. Para ela, não foi fácil aprender português. Mesmo assim, acha legal morar no Brasil.

Laurinda, 5, angolana

“Lá é mais quente que aqui. Lá não podia colocar o colchão no chão porque o chão era de areia”, diz a tímida Laurinda.

Para ela, é legal morar no Brasil. A menina conta ainda que o português de Angola é diferente do falado no Brasil, mas não consegue se lembrar de nenhuma palavra usada em seu país.

A Laurinda sente saudades da avó. Para ela, a diferença entre Angola e Brasil está na água. “Em Angola o mar é branco, enquanto o brasileiro é azul”, conta.

Bex, 6, boliviano

“Na Bolívia tem porcos e ovelhas. A minha mãe tem muitas. Eu morava no sítio e vim morar no Brasil porque meus pais queriam ganhar muito dinheiro, eles trabalham muito”, conta o menino.

Bex diz que foi um pouquinho difícil aprender português e acha legal morar no Brasil.

O garoto sente falta dos amigos bolivianos, com quem ele fala por telefone.

Francesca, 12, romena

Filha de chineses, a menina conheceu a China, mas sente falta da Romênia, país onde nasceu.

Francesca fala português, chinês e romeno. “Não foi difícil aprender as três línguas. O português foi mais fácil por causa das brincadeiras com meus amigos”, conta. Na foto, dá para ver o nome dela escrito em chinês, romeno e português.

A garota acha legal morar em vários países porque é interessante fazer novas amizades em lugares diferentes.

Boa aluna, Francesca adora matemática. Em seu tempo livre, a menina gosta de fazer compras e brincar com as amigas.

Ela conta que pretende ir à China só para passar férias.

Salomé, 5, colombiana

“A comida na escola da Colômbia era diferente e o escorregador era mais colorido. No recreio os alunos grandes e pequenos ficavam juntos”, diz a menina.

Ela conta que sente falta da piscina que tinha em casa e do mar.

Woo Si, 9, sul-coreano

“Aqui não tem neve. E lá na Coreia é mais limpo”, são as principais diferenças entre Brasil e Coreia do Sul para Woo.

O garoto fala português muito bem e conta que a mãe o proibiu de falar o idioma do país onde nasceu. “Ela só deixa eu falar coreano em casa e com outros coreanos. Mas eu ensino algumas palavras para os meus amigos brasileiros”, diz.

Woo gosta de morar no Brasil e acha mais legal brincar aqui, mas também sabe algumas brincadeiras da Coreia. “Meu pai me ensinou algumas”, conta.

Sobre a escola, ele também prefere a brasileira. “A escola lá é igual a daqui, mas a aula é diferente. Aqui, no segundo ano aprende a conta de vezes (multiplicação). Lá na Coreia, no primeiro ano aprende a conta de mais, menos e de vezes. É mais rápido. Gosto de estudar aqui porque não é tão rápido como na Coreia e a professora lá é mais brava”.

Marco Antônio, 12, peruano

“O jeito de falar e escrever aqui é diferente. No Brasil, a paixão pelo futebol é bem maior que no Peru”, conta.

O são-paulino Marco acha legal morar no Brasil e é fã de feijoada, mas sente falta do avô que ficou no Peru.

Há quatro anos no país, o garoto conta o porquê de sua mudança: “A gente veio morar no Brasil para começar tudo de novo. Minha mãe arrumou um emprego aqui e falou pra gente vir”, diz.

Ele conta que os amigos brasileiros pedem para ele ensinar espanhol. “Eles querem aprender como fazer perguntas”, conta.

(UOL – 17/10/2013)



Categorias:imigrantes

%d blogueiros gostam disto: