O VÍRUS DA DESINFORMAÇÃO

Todas as medidas preventivas devem ser tomadas. Principalmente contra a paranoia injustificada e o uso de ebola como álibi para a discriminação e intolerância.

O governo do Acre quer uma equipe do Ministério da Saúde na fronteira do estado com o Peru para controlar a entrada de imigrantes senegaleses por causa do vírus ebola. De acordo com o secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre, Nilson Mourão, o pedido já foi feito ao governo federal e reforçado, nesta sexta-feira (29/08), durante a visita da ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) Ideli Salvatti, ao estado.

O anúncio do pedido foi feito durante a visita da ministra ao abrigo para imigrantes mantido pelo governo do estado. Mourão ressaltou que a medida se refere apenas aos imigrantes senegaleses.

“Já notificamos o governo federal e a ministra veio ver in loco e vai envidar todos os esforços para que nos próximos dias tenhamos uma equipe do Ministério da Saúde fazendo triagem e controle absoluto dos senegaleses na fronteira. Os haitianos não têm esse problema, mas no caso dos senegaleses isso vai ser feito. O que queremos é acelerar esse processo”, disse.

Atualmente existem 267 imigrantes no abrigo mantido no Acre e embora a maioria tenha vindo do Haiti, 39 são do Senegal, país que teve o primeiro caso confirmado de ebola pelo Ministério da Saúde do país, nesta sexta-feira.

Atendimento normal

O Ministério do Trabalho e Emprego informou que é normal o atendimento a estrangeiros no estado do Acre e em todas as demais agências e superintendências.

Por falta de informação, uma servidora local chegou a suspender o atendimento aos estrangeiros na cidade de Rio Branco/AC. Os trabalhos, no entanto, foram retomados assim que a superintendência estadual detectou o problema.

O MTE reforça que, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde já divulgaram, não há caso suspeito ou confirmado da doença Ebola no Brasil. Ainda, segundo as autoridades de saúde, o risco de transmissão para o país é considerado baixo. E como a doença é transmitida pelo contato direto com sangue, secreções, órgãos e outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, a transmissão da África para outros continentes é considerada como pouco provável. A OMS não recomenda quaisquer medidas que restrinjam o comércio ou o fluxo de pessoas com os países afetados.

Risco baixo

O Ministério da Saúde já tinha declarado que, apesar da entrada de turistas vindo de países africanos, não há risco de transmissão desta doença no Brasil no momento. O risco de disseminação seria alto somente nos países fronteiriços e moderado no restante do continente africano. No restante do mundo, a OMS classifica o risco como baixo. No último dia 8, o Governo Federal oficializou uma doação de R$ 1 milhão à OMS, para auxiliar e reforçar ações de combate ao ebola.

De acordo com o infectologista Alberto Chebabo, presidente da Sociedade de Infectologia do Estado do Rio de Janeiro (SIERJ), as expectativas da comunidade médica são as de que o ebola, como epidemia, deva continuar concentrado na África. “É muito pouco provável que a epidemia ocorra em outros continentes. Mesmo na África é provável que aconteçam casos em outros países, mas sem epidemias. Existe uma expectativa de que o vírus chegue a países mais desenvolvidos, como a África do Sul, mas sem que haja uma evolução tão grave. O restante do mundo também deverá ter casos esporádicos trazidos por pessoas que vêm da África, mas vão ser contidos. Teremos casos importados, mas não locais”, acredita.

Contudo, ainda assim procedimentos foram anunciados para reforçar as ações de vigilância e monitoramento da doença no Brasil. Uma das medidas é, desde o último dia 9, a veiculação de uma mensagem sonora nos aeroportos brasileiros recomendando procurar atendimento médico os passageiros que regressarem de vôos internacionais com febre, vômito, diarreia, sangramento, manchas no corpo ou tosse, além de informarem ao profissional de saúde quais foram os países em que estiveram.

Apelo

Cumprindo agenda no Acre, a ministra Ideli Salvatti fez um apelo para que os imigrantes que estão no abrigo mantido em Rio Branco orientem familiares e amigos que desejam vir ao Brasil a procurar as embaixadas brasileiras em seus países de origem e façam a imigração de maneira legal.

Durante uma conversa com os imigrantes, a ministra reforçou que o Brasil pratica uma política de portas abertas para recebê-los e pediu o apoio para que essa política fosse divulgada. “As embaixadas brasileiras estão orientadas a acolher e facilitar a vinda legal dos imigrantes para o Brasil. Não venham pelos coiotes, pelas embaixadas é mais seguro, mais correto e será inclusive mais rápido”, enfatizou.

Ela acredita que dessa forma pode ainda reduzir o fluxo de imigrantes que entram no país pelo Acre. “Se eles entram pela rota legal não virão para o Acre, mas para São Paulo, Rio, Belo Horizonte, outros pólos onde há condição melhor de acolhimento e mercado de trabalho, que é o que eles estão procurando”, afirmou.

De acordo com a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos no Acre (Sejudh) desde dezembro de 2010, o Acre já recebeu mais de 20 mil imigrantes que chegam ao Brasil através da fronteira entre o estado e o Peru. A maioria, são haitianos que buscam reconstruir a vida, após o terremoto que devastou a capital do Haiti, Porto Príncipe, porém, outros imigrantes vindos de países como o Senegal e a República Dominicana também utilizam a rota.

(Redação + Agências – 01/09/2014)



Categorias:imigrantes

%d blogueiros gostam disto: