NOVOS HORIZONTES PARA OS REFUGIADOS SÍRIOS

Com um fluxo cada vez mais intenso, refugiados sírios chegam a Belo Horizonte e, auxiliados, tentam reconstruir suas vidas destruídas pela guerra.

Devido às perseguições do Império Otomano que ocorreram no século passado, fluxos imigratórios árabes encontrarm no Brasil uma chance de fugir da guerra. A nova colônia, predominatemente formada por sírios e libaneses, encontrou em Belo Horizonte os reflexos de uma nação de estrutura agrícola e ajudou na construção do país. Ótimos comerciantes e bastante fiéis à cultura de origem, mantiveram-se nas atividades mercatis para sobrevivência e adaptação na nova cultura. Hoje, com a guerra que aflige a região, o vinda de refugiados árabes no Brasil voltou a ser notícia. Aqui, os recém-chegados tem esperança de poder construir uma nova vida.

Nos últimos dois anos Belo Horizonte recebeu cerca de 30 refugiados sírios fugidos dos conflitos de guerra. Ajudados pelo padre George Rateb Massis, da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, pelo Consulado Libanês e por Emir Cadar, cônsul sírio em Minas Gerais, os refugiados são orientados em sua empreitada na nova nação. A Arquidiocese do padre tem papel fundamental no que diz respeito à adaptação do refugiado. A Igreja promove campanhas – ‘‘Juntos pela Síria’’ – para arrecadação de caixa para ajudar no refúgio e em questões de moradia. Além disso, redireciona os refugiados tanto para as aulas de português, uma vez que a língua é um fator essencial de adaptação, quanto para uma área de atuação efetiva no mercado de trabalho, ainda que na maioria das vezes recebam um salário mínimo. Já Cadar fica a cargo das questões burocráticas e de legalização das situação dos sírios refugiados no Brasil.

Apesar das dificuldades desde a fuga do país de origem até a chegada no Brasil e os consequentes desafios como a locação dos alojamentos e a impossibilidade de abrir contas em banco, os refugiados sírios tem gana de se adaptarem no Brasil e de assim, construir uma nova vida. É o caso de Shvan Frho, de 26 anos e vindo de Keshkei. Em seu país de origem, o rapaz estudava no equivalente segundo grau brasileiro e os pais decidiram que ele deveria fugir da Síria. Percorrendo tranjetos de carro e a pé, o jovem foi para Damasco onde recebeu a notícia de um avião que recolheria refugiados. Foi assim que Shvan encontrou-se com Magda Barros que o levou para Santa Luzia. Foi no bairro da grande BH que concluiu os estudos de bombeiro civil. Agora, Shvan quer se tornar bombeiro militar, apesar de saber que legalmente a função não lhe será reconhecida devido a fatores burocráticos.

Um grande problema a ser destacado na questão dos refugiados é o isolamento que é promovido pelo contexto da emigração forçada: enquanto o refugiado corre em fuga, parte de sua história fica para trás. Joseph Barson, sírio de 24 anos e primo do padre George é um exemplo de como o processo de busca por se refugiar é, apesar dos possíveis sucessos, um processo doloroso. O rapaz teve um difícil trajeto quando fugiu para Damasco de carona e não conseguiu embarcar no aeroporto bombardeado. Foi para o Líbano com um grupo de fugitivos e em Abu-Dabi embarcou para São Paulo e depois finalmente para Belo Horizonte, onde trabalha e tenta construir carreira. Não pretendendo retornar para a Síria, o jovem perdeu o contato que tinha com os pais quando chegou no Brasil. O bairro onde mora a família foi bombardeado e não há mais energia elétrica. Joseph, sente saudades: “Queria muito, apesar das dificuldades, que meus pais e minha irmã estivessem comigo, mas sei que nunca virão.” Apesar disso, o rapaz e toda a nova e crescente colônia sentem no Brasil a possibilidade de melhorarem de vida.

Victor Soriano

(oestrangeiro)



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