A SUSPEITA NÃO PASSOU DE UMA SUSPEITA

Ainda que a probabilidade de entrada do vírus ebola no país seja baixíssima, o caso pode ser usado como treino para enfrentar eventuais casos. 

O Ministério da Saúde informou na manhã deste sábado (11/10) que o resultado do primeiro exame do paciente Souleymane Bah, recém chegado da Guiné, deu negativo para o vírus do ebola. As análises foram feitas pelo Instituto Evandro Chagas, em Belém, referência número um no assunto no país.

Um novo teste será realizado neste domingo, 48 horas após a coleta da primeira amostra de sangue, como determina o protocolo médico nesse caso. No entanto, as chances de um resultado diferente são consideradas remotas.

Segundo a pasta, o paciente está sem febre desde ontem e não apresentou nenhum outro sintoma que poderiam sugerir a doença, mas seguirá internado no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fiocruz, até que o resultado do segundo exame seja divulgado. Caso este também seja negativo, as 64 pessoas que tiveram contato com Bah em Cascavel (PR), de onde ele foi transferido na manhã de sexta-feira para o Rio, e estavam sob observação, deixarão de ser acompanhadas.

A segunda amostra de sangue também será enviada para análise laboratorial no Instituto Evandro Chagas, no Pará, e o resultado ficará pronto na segunda-feira.

Em nota, o Ministério da Saúde esclareceu “que adotou todos os procedimentos necessários para a interrupção de uma possível cadeia de transmissão do vírus. E adotou todos os procedimentos previstos no Regulamento Sanitário Internacional”.

Visto

A Guiné é o único país africano com registro de epidemia da febre hemorrágica que ainda concede visto para estrangeiros que querem vir ao Brasil. A embaixada brasileira no país emite cerca de 40 vistos mensais, afirmou o diplomata Alírio Ramos, único representante do ministério das Relações Exteriores no país.

De acordo com o diplomata, o Brasil instituiu uma “rigorosa” avaliação para qualquer pessoa que solicite um visto na Guiné, com obrigatoriedade para exames clínicos e laboratoriais de temperatura.

Os candidatos ao visto devem fazer exames clínicos e laboratoriais de temperatura e de sangue no hospital Ignace Deen, em Conacri, considerado um estabelecimento de saúde modelo no país, diz Ramos. Estes testes custam cerca de US$ 15 (R$ 36).

Esses exames são supervisionados pelo diretor-geral do hospital, Mohamed Awada, que também é o médico particular do presidente da Guiné, Alpha Condé, acrescenta o diplomata brasileiro.

“A possibilidade de um estrangeiro que obteve visto na embaixada em Conacri apresentar sintomas de febre viral ebola no desembarque no Brasil ou nos dias seguintes é muito remota”, afirma Ramos.

Há atualmente 30 brasileiros na Guiné, sendo pouco mais da metade funcionários da construtora OAS.

As representações diplomáticas brasileiras em Monróvia, capital da Libéria, e em Freetown, Serra Leoa, deixaram de emitir vistos para o Brasil por determinação do Itamaraty.

Aeroportos

O ministro da Saúde garantiu que a situação está sob controle e que todos os procedimentos foram feitos no tempo de resposta adequado e em comprimentos aos requisitos do protocolo de segurança. Chioro elogiou o processo de contenção do paciente após a identificação do caso suspeito, mas a própria entrada do vírus no país levanta dúvidas se a fiscalização nos aeroportos está sendo realmente rigorosa.

O infectologista Alberto Chebabo, presidente da Sociedade de Infectologia do Estado do Rio de Janeiro (SieRJ), afirma, no entanto, que as medidas de controle nos aeroportos acabam não tendo uma eficácia muito alta.

“A doença tem um período de incubação de 21 dias, a chance de pegar alguém medindo febre na saída do país é muito baixa. Uma pessoa pode entrar no país e dias depois apresentar os primeiros sintomas, em uma doença com incubação longa, a chance de pegar alguém com a doença é muito pequena. O que é mais eficaz é impedir que pessoas saiam dos países apresentando febre”, explica.

Em setembro, o ministro da Saúde declarou que atualmente ninguém sai da Guiné, da Libéria e de Serra Leoa sem passar por uma primeira linha de bloqueio local, onde ocorreria uma inspeção sanitária. De acordo com Chioro, haveria ainda uma segunda linha nos aeroportos onde os viajantes desses países pegariam outro avião, visto que o Brasil não possui linha direta com esses países. Quando eles finalmente chegam ao Brasil, haveria uma terceira linha de bloqueio, segundo o ministro.

Fronteira

Rondônia iniciou ações para evitar entrada de vírus ebola pela fronteira. A preocupação, segundo o secretário de Saúde do estado, se deve à entrada de imigrantes oriundos de países com casos confirmados de ebola chegam pelo Acre e passam por Rondônia.

O secretário afirmou que foram estabelecidos procedimentos de segurança e orientações para o uso de equipamentos e material adequados pelos funcionários e estratégia de fluxo no hospital de tratamento de doenças transmissíveis. Os procedimentos incluem a definição de uma enfermaria de isolamento e a preparação do pessoal responsável pelo tratamento e manuseio de eventuais pacientes, no afã de se proteger e impedir a contaminação e/ou a proliferação do vírus.

(Redação + Agências)



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